quinta-feira, 19 de abril de 2007

Reflexões I

O Inverno do Melões

Decidi criar esta rubrica para dar a conhecer o longo Inverno do Melões. É um espaço onde conto os momentos mais difíceis e reflexões de um melão perturbado, através de reflexões escritas durante o longo Inverno. Na altura, não queria que ninguém soubesse o que pensava ou sentia, mas hoje, creio que é altura de mostrar pelo que passei, já que a pena não é mais um sentimento que possa provocar. Hoje creio que ao mostrar o que sentia posso ajudar a que se compreenda o que é viver como vivi, esmagado por dentro mas com um sorriso por fora.


Sobre o dia em que decidi deixar de me tratar

“Já lá vão três anos…
São três anos em que o tempo corre por si e é dono do destino. Foi nessa altura, nessa terra fria e distante, num cinzento dia de Dezembro que me entreguei ao destino.
Não me lembro do dia, mas por certo era cinzento como todos os dias desse Dezembro.
Só que passados esses três anos tudo continuou cinzento e o Sol tardou em raiar.
Primeiro houve o medo, depois a ira, a fúria, a angústia e por fim a dor de não ser capaz de sozinho trazer o Sol, pior do que isso, nem acompanhado”
Melões, 29 de Junho de 2001


A tentativa de aceitação

“Há pessoas escolhidas para sofrer. Como há pessoas escolhidas para serem felizes, ‘unicas, bem sucedidas, fracassadas, ou tudo isto!
Eu fui escolhido para sofrer. Mas como não sei lidar com o sofrimento, faço sofrer.
Por vezes achamos o nosso fardo tão grande que acabamos por distribuí-lo por aqueles que mais amamos. E esquecemo-nos de que eles também têm o seu próprio fardo.
Enquanto não aceitar ou procurar a razão de ser escolhido para sofrer, viverei na angústia de fazer sofrer os outros.
Quando aceitar, poderei então ser feliz no meu sofrimento”
Melões, 22 de Julho de 2001

A obsessão pela morte

“Nasci um dia, mas nasci morto.
Assim, poder-me-iam ter deixado, mas fizeram tudo para que vivesse.
E por isso cá estou, e arrasto-me sentindo que há uma parte de mim que não está.
Sinto que já não pertenço aqui. Que no dia em que nasci e morri deixei ficar alguma coisa do lado de lá que me impede de sentir-me humano, realizado e de atingir neste mundo a plenitude.
Só estarei completo quando morrer uma segunda vez!”
Melões, 22 de Julho de 2001

2 comentários:

chiqui disse...

Meloes (prometo que nao volto a chamar-te melao :)

Es de facto alguem muito corajoso, que te dispoes a partilhar as tuas reflexoes connosco. Ideias, sentimentos, de alguem que passou por uma prova muito grande, dolorosa.
Obrigada por isso, e com algum medo de cair em frases feitas, es uma inspiracao

Melões Melodia disse...

Chiqui - podes chamar-me o que bem te apetecer... afinal foi a Cilinha que me baptizou de meloes no blog dela...
Isso do corajoso tem muito que se lhe diga...
A distancia entre a coragem e a cobardia e infima. A sorte atira-nos para um dos lados. Nunca sabemos qual.