quinta-feira, 17 de maio de 2007

Dor

Do lat. dolore-, «dor»
s.f
1. sensação penosa ou desagradável; sofrimento; pesar; 2. condolência; dó; 3. mágoa; 4. arrependimento;


Há uma mania das pessoas em avaliar a dor. A sua dor, a dor dos outros, a sua possível dor.

Nesta análise, há uma tendência ainda maior de categorizar a dor, de a comparer a outra dor, a situações não conhecidas, nem vividas.

Depois dos acontecimentos da Praia da Luz, muito se especula sobre a dor dos pais. Quanto à dor da criança, e talvez porque não nos conseguimos ver neste papel, já pouco se fala.

Na minha passagem pela blogosfera, vejo muitas opiniões de mães, pais e restantes sobre a dor que tal acontecimento pode causar. Discussões inúteis sobre se é pior ver um filho morrer ou desaparecer.

As pessoas avaliam a dor dos pais sem terem a minima idéia do que se está a passar.
Mesmo pais que tenham passado por experiências semelhantes, não saberão jamais o que vai no coração dos pais que agora fazem capas de revistas e manchetes de jornais.

Cada dor é única e a sua intensidade varia a cada minuto que passa, mas nunca parece ser suficiente. Os jornais e televisões cá estão para nos amedrontar ainda mais, com um sensacionalismo barato. E os indivíduos desta sociedade cada vez mais fria e sem amor, buscam conforto nos acontecimentos mórbidos que nos rodeiam, que nos fazem lembrar que ainda somos capazes de sentir.

Cremos que sabemos tudo, que já vivêmos tudo. Quando nos dizem tenho isto, respondemos , sabes que eu também, ou, nem imaginas então eu, porque nos cremos senhores da verdade, ainda que a única verdade que conhecemos é a nossa.

Nem tudo tem que ter uma ordem. E desta história que não quero comentar, só posso concluir que há pelo menos três pessoas que sofrem. A sua e única dor, que nenhum de nós sabe avaliar.

8 comentários:

chiqui disse...

Concordo muito contigo. Penso que os povos latinos tem uma especial predileccao pela dor. Gostam de a mostrar, de "venderem" a sua como a maior, a mais forte, a mais devastadora.
Talvez por isso nao saibamos lidar com a alegria como deveriamos.

125_azul disse...

Há dorescuja intensidade é inimaginável...
Nem me atrevo. Mas de facto,uma criança de 4 anos, se está viva e sujeita sabe-se lá a quê, mais que não seja pela incompreensão do que lhe está a acontecer e pela ausência de tudo o que lhe é familiar, está a sofrer de certeza. Muito.
Em respeito isso, só a nossa oração silenciosa.
Beijinhos, bom fime semana

Melões Melodia disse...

Chiqui - acho que nao sao so os povos latinos. Aqui, os jornais fazem do acontecimento a ordem do dia, porque creio que esta gente, de tanto esconder os seus sentimentos, tem que procurar nos sentimentos dos outros. A imprensa ja deu conta ha muito tempo e aproveita-se.

125_azul - concordo perfeitamente. Nao critico, comento ou julgo uma dor que nao conheco e nao quero para mim. Nao a relativizo ou destaco. E isto nao e meter a cabeca na areia como a avestruz. A noticia deveria ser: No dia tal as tantas horas desapareceu uma menina. Esta e a fotografia. Se a vir contacte-nos. O resto e um circo.

beijos e bom fim de semana

Diabba disse...

Não vou poder comentar este post.
Tenho um problema com dor, mesmo que seja dor de outrém, é uma agonia tão grande a que sinto.
E sim, penso muito mais na criança que nos pais e, é isso que me aflige verdadeiramente.

beijo d'enxofre

Melões Melodia disse...

Diabba - Esse e o meu ponto. Nao vale a pena chafurdar mais no assunto quando nao ha nada que nos possamos fazer. Sabemos quem e e como e. Se a virmos avisamos. o resto, nao me interessa

Ck in UK disse...

Estiveste bem. Quntificar dor e como quantificar amizades. E dificil pa. Creio que impossivel. especialmente se a dor nao e nossa....

caditonuno disse...

é quase o mais impossível que há. tem que ser um medidor a olho nú.

Melões Melodia disse...

CK - Tambem acho impossivel e uma discussao absurda e sem sentido. Mas temos sempre que encontrar uma explicacao para tudo, quantificar tudo, afinal no mundo em que vivemos a hierarquia e luta por poder e o que comanda. Temos sempre que ser melhores do que nos proprios (o que esta bem), mas tambem que os outros. Sabemos mais, sentimos mais, amamos mais, enfim, tretas que nao levam a lado nenhum.

Caditonuno - Bem vindo. O problema e que nao ha olhos nus. Desde que nascemos, a nossa percepcao das coisas molda a realidade que apreendemos. Avaliamos tudo pela nossa medida e julgamos de acordo com o nosso mundo. Cada um tem o seu. Vi o teu post sobre a culpa dos pais. De acordo com a nossa realidade, podemos acha-los negligentes, mas terao sido? De acordo com a realidade deles fizeram algo normal. Sao percepcoes, culturas diferentes. Mas nao nos conseguimos despir das nossas morais e por isso criticamos o que nao conhecemos.
Abraco.