domingo, 20 de maio de 2007

Relações à distância

Hoje não era dia de escrever, por isso toca a comentar (se vos apetece) o post anterior.

Mas preciso de desabafar.

Como vocês sabem, o Melões tem uma relação à distância. A minha Cara Metade Mais que Tudo vive em Madrid e eu em Londres. É verdade que nos vemos umas duas vezes por mês, o que significa um rombo na carteira em viagens, principalmente, considerando que já há dois anos e meio deixei Madrid.

Outro rombo é a conta de telefone. Eu telefono-lhe todos os dias de manhã ao acordar e a minha Cara Metade Mais que Tudo liga-me todos os dias quando já está na cama para dormir o sono dos justos.

Ontem deitei-me às duas à espera do dito telefonema e nada. Como costumo receber o telefonema entre as onze e a uma, já estava a ficar com os cabelos em pé.

Fiz-me forte e não liguei. Fui dormir. Acordo às três e nada. Acordo às cinco e vejo cinco chamadas perdidas às 4.30 da manhã (5.30 em Madrid). Lá dormi como pude, levantei-me cedo a fazer os meus filmes.

Há pouco mais de uma hora liguei à minha Cara Metade Mais que Tudo. Não fiz perguntas directas. Conduzi a conversa para ter as respostas que queria.

E claro, o Melões é parvo, porque se esqueceu que a Cara Metade Mais que Tudo tinha o aniversário de uma amiga e se tinha esquecido e esteve agoniado durante uma noite inteira. Porra pá merda da ciumeira. E apesar de tudo não me sinto confortável com a situação!

Será que a minha Cara Metade Mais que Tudo sente a mesma coisa? Porque o Melões gosta de sair, e principalmente quando vai à terrinha se deita já de manhã e não costuma ouvir o telefonema da noite.

O que quero saber é como é que vocês lidam com ciumeira e se acreditam em relações à distância. Eu adoro a minha Cara Metade Mais que Tudo, mas detesto sentir-me como me senti esta noite!

19 comentários:

Bia disse...

Meu caro melões...

Eu nunca fui muito ciumenta até que conheci a minha cara-metade e como passar do tempo devido a certas inseguranças estupidas criei dentro de mim esse sentimento que para mim era novo...
Posso dizer-te que prejudiquei bastante a minha relação que ao fim de 2anos e meio terminou...
Depois do termino da relação, eu comecei a sentir-me muito melhor comigo própria, nao andei a choramingar pelos cantos (este é o meu lado nao gaja), custou-me mas a vida continua... Aprendi muita coisa durante os 4 meses que estivemos separados e aprendi também que nao devia desconfiar daquela forma da pessoa que amava... e q continuo a amar...
Passados 4 meses de estarmos separados, a vida lá se encarregou de nos juntar novamente e cá estamos felizes, sem ciumeira da minha parte. A minha cara-metade tambem limou muitas arestas que necessitavam de ser limadas...

Esta experiencia fez com que tirasse várias lições muito importantes da vida:
1º Nao dependemos de ninguem para ser felizes e sim de nós próprios;
2º viver dia a dia, lutar pelos nossos sentimentos;
3º Nao ha nada que nao consigamos superar;
4º Nao viver com stresses, o que tiver de acontecer acontece e é sempre para nosso bem

Resumindo se gostas da tua cara-metade, nao é a distancia que vai impedir isso, vive o presente sem stresses, confia... Pke se acontecr alguma coisa de má é porque a "vida" sabe que podes aguentar com essa experiencia e porque te reserva algo de muito melhor no futuro... E nao te esqueças que os ciumes em exagero só prejudica... Se ela te ama as coisas vao dar certo é uma questão de confiança ;)

beijinho, fica bem

AEnima disse...

Fofo,

Vais-me desculpar se o comentario parece um "ataque", mas nao eh... eh so a minha forma de te fazer pensar. E acho que posso fazer isso porque a tua relacao e' muito diferente de qualquer uma que eu tivesse construido. Eu nao sou ciumenta, nem possessiva e ja tive relacoes ah distancia. Quando amo, confio, porque geralmente conheco bem por quem me apaixono. Como continuo solteira, da para perceber que nem as relacoes ah disntancia sobreviveram... mas uma coisa garanto, nao foi pela distancia que falharam!

Mas chega de apartes, e vamos la ao comentario:

Ao que parece, a tua relacao com o mais que tudo ja dura ha anos. Posto isto podes ver a coisa pelo lado positivo e pelo negativo:

Negativo - Ao fim deste tempo todo, ainda nao tens confianca nele.

Positivo - Que bom ainda sentir ciumes. Significa que realmente o vosso sentimento e' muito forte.

Outra coisa... Depois de tanto tempo, nao tens coragem de directamente perguntar: "Porque nao telefonaste ontem?" Sentes a necessidade de "rodeios"?

Ainda mais uma coisa... Da-me a sensacao que os telefonemas se fazem por vontade de falar com alguem, e nao como uma forma de controlo. Nao sei... mas essa vossa "instituicao" funciona bem. Optimo para voces. Nunca funcionaria bem comigo.

PS - Conheces-me? Eh natural, afinal somos da mesma nacaum!

calamity jane disse...

oh rapaz, esses sentimentos são normais e todos temos os nossos momentos de insegurança. Há é que entender que uma coisa é o emocional e outra o racional. E quando o emocional passa por cima do racional, admiti-lo com naturalidade e seguir em frente.
:-)

Diabba disse...

Tenho-te a dizer que não acredito em relações à distância.
2,5 anos de distância? E tencionam continuar assim?
Já pensaste que estão tão habituados a estarem distantes que, se passarem a estar juntos 24h sobre 24h (como qlqr casal) pode ser que não se aturem? porque já criaram espaços próprios onde o outro não entra?
E, tal como Aenima sou da opinião que "quem ama confia" e já devias ter àvontade para perguntares "pq é k não ligaste" sem estares com rodeios!

Beijos d'enxofre

Melões Melodia disse...

Carissimas, obrigado pelos vossos comentarios.
Acho que passei mal a mensagem. Por isso isto era mais um desabafo.
Nao penso, nem sequer se me tera passado pela cabeca, acabar com a relacao. Estou muito bem como estou e sou feliz.
E tambem confio senao a relacao ja tinha acabado ha muito tempo.
Isso nao me impede de, a determinadas alturas, me sentir agoniado por nao saber onde esta ou o que faz. Passam-me muitas ideias pela cabeca, entre as quais muita inseguranca. Isso nao o consigo evitar.
Mas nao discutimos sobre isso porque sei que sao ideias estupidas e assim como ontem de manha me sentia assim, hoje ja esta tudo bem.
Nao vou arruinar uma relacao por ideias que as vezes tenho.
Ja vivi uma relacao muito possessiva e ciumenta e por isso muito destrutiva. Fui vitima da mais feroz perseguicao, insultos, chamadas anonimas para casa, trabalho, inimaginavel. Essa relacao quase me destruiu. Por isso acabei com ela.
O que se passa agora e totalmente diferente, e mais saudavel, e quando me sinto assim ou tenho estes estupidos pensamento atiro-os para tras das costas e nunca a cara da minha cara metade. Nunca me perdoaria fazer alguem passar por 10% do que eu passei no passado.

Diabba disse...

"...mais feroz perseguicao, insultos, chamadas anonimas para casa, trabalho..."

Confirma-se, és um melão suculento e dp da 1ª dentada não querem outra coisa! hihihihihihi

beijo d'enxofre

chiqui disse...

Querido Meloes,

ciumes sao a coisa mais normal do mundo, desde que nao razem a possessividade. Eu tambem ja vivi uma relacao de ciumes cinematograficos, e foi de facto consumidora da minha saude mental (e porque nao, beleza...). Acho que apenas com o MAD consegui de facto confiar, deixa-lo voar a sua vontade. Somos muito amigos e companheiros, mas tambem muito independentes.

Quanto a relacoes a distancia... ja tive varias, todas completamente distintas. Mas a conclusao que tiro de todas elas, e que uma relacao, o amor, se faz muito das pequenas coisas de todos os dias, daqueles pequenos momentos que as vezes ate parecem insignificantes.
BOA SORTE A TI E A CARA METADE

BJOS

Melões Melodia disse...

Diabba - nem me fales, mas na altura nao achei piadinha nenhuma.

Chiqui - ja tivemos momentos juntos antes de eu sair de Madrid, foi e no inicio da relacao, e as coisas fundionavam bem... so nos separamos depois. Ainda assim fazemos esforco por estar muitas vezes juntos, 3 semanas, um mes, o que seja em que fazemos a vidinha normal de casal.

Actriz Principal disse...

Eu não acredito em relações à distância... para mim. Gosto de viver o dia-a-dia, acho importante partilhar as pequenas coisas. Mas eu... sou eu.

Por incrível que pareça, aprendi a não ter ciúmes, ou a não ser consumida pelos ciúmes. Ainda que a minha vida tenha seguido o rumo que bem sabes e que a minha maior experiência o contradiga, hoje acredito que se alguém está comigo é porque o quer, e não o faz por obrigação. Desta forma, se for embora, é porque nunca o tive. Difícil de encaixar, mas faz todo o sentido. E sim, pode doer...

Mas, meu caro, tu não tens a mínima razão para sentir ciúmes!

Melões Melodia disse...

Actriz - eu tambem nao acreditava em relacoes a distancia - assim sendo, a divina providencia la disse - ai nao? enato toma la!
Os meus ciumes nao sao nada de especial, a maioria das vezes nem os tenho, por isso e que me incomdou tanto te-los na outra noite.

Ck in UK disse...

eu tinha partido a louca toda e depois pedido desculpa por ter metido a pata....

Melões Melodia disse...

cila - ja fui assim mas aprendi a controlar-me e so ganhei com isso!

Tuxa disse...

Eu vivo presentemente uma relação há distância também. Estamos juntos dois fins de semana por mes e passamos horas no skype como forma de evitar as contas de roaming astronómicas. E ajuda, muito. A proximidade artificial de uma webcam faz milagres.
Mas há sempre aqueles dias em que nada ajuda, nada faz passar o que nos corroi por dentro aos poucos... nesses dias, é respirar fundo, confiar e esperar pela manhã..

Melões Melodia disse...

Tuxa - E bom saber que ha alguem por ai que sabe o que eu quero dizer.
Ja discutimos isso tudo de webcams e skype. Eu e que sou, as vezes, preguicoso e ainda nao instalei o skype, mas e uma coisa que a minha cara metade me pergunta quase todos os dias.
beijos

Teresa disse...

Em retribuição da visita, vim espreitar o teu cantinho.

Para tentar perceber um bocadinho quem és e como és (temos em comum a veneração por Bach, já percebi - para mim vem logo a seguir a Mozart) vim lendo por aqui abaixo e decidi parar para comentar agora.

Encontrei aqui as minhas três pessoas favoritas no blogger - a Diabba, a AEnima e a Actriz), li o que te escreveram sobre este assunto.

Posso falar de cátedra, o que não quer dizer que as coisas funcionem da mesma maneira para os outros. Relações á distância NÃO funcionam. Ponto final. Mais tarde ou mais cedo (normalmente mais cedo), alguém começa a desinteressar-se, alguém conhece outro alguém.

Vivi isso. Durante dois anos a minha vida foi um caos, uma ponte aérea Lisboa-Barcelona (eu em Lisboa, ele em Barcelona). Malabarismos para tentarmos passar juntos pelo menos três fins-de-semana por mês, uma vida de saltimbancos permanente, e com duas criabnças pequenas a reboque, quando ele vinha (o tempo que tinha para estar comigo tinha de ser dividido com os filhos, mas isso nunc foi problema, mesmo sendo as crianças tão absorventes e exigindo tanta atenção). Criei com o aeroporto de Lisboa uma relação de amor-ódio. À sexta-feira, quando ia buscá-lo, era o sítio mais maravilhoso à face da Terra. à segunda de manhã, quando ia levá-lo... imaginas, não?

E tínhamos esses rituais todos (a primeira e a última coisa que ouvíamos todos os dias, de manhã cedo e à noite, já na cama), era a voz um do outro. Não por controlo, mas porque gostávamos desse ritual e precisávamos dele. Não falo dos incontáveis telefonemas durante o dia (muitas vezes apenas vinte segundos para dizer olá). E não havia sequer ciúmes, havia confiança. Fui até eu quem o incentivou a começar a sair, a estar com pessoas, não querendo vê-lo fechado em casa a consumir-se em saudades de mim e dos filhos, só a olhar para as fotografias que lhe forravam a casa toda.

Acabou... por acabar. Qualquer relação pode acabar pelas mais diversas razões, mesmo estando as pessoas próximas. A distância geográfica é mais um factor de risco. E grande. Comigo deu cabo de tudo. Não sei, não...

Um beijo e... peço desculpa por tão longo comentário de uma desconhecida numa primeira visita (acho que já cá tinha vindo uma vez, sim, mas já foi há bastante tempo).

Melões Melodia disse...

Teresa - espero que tenhas gostado do me cantinho. Sei bem das sensacoes que falas, e tambem odeio aeroportos... e os de Londres nao sao nada simpaticos. Quanto a tua opiniao, pensando friamente, acho que tens razao, mas no fundo espero que nao. so o tempo o dira.
beijos

Teresa disse...

Vim aqui por descargo de consciência. Sendo este um post bão muito recente e não sabendo se és notificado de novos comentários, vim espreitar.

E sim, gostei muito do teu cantinho - tanto que o juntei aos meus links (isto é uma prerrogativa minha, individual e autónoma... não é bajulação à espera de retribuição).

Depois de ter publicado o comentário ainda fiquei a pensar. Há mais coisas que poderia dizer-te, mas não as escreverei num espaço público. Só o tempo o dirá, sim - e eu desejo-te boa sorte. Tens a teu favor factores em que no momento não pensei, por ser muito impulsiva a escrever. Não considerei um factor muito importante. Só me ocorreu depois.

Beijo.

Melões Melodia disse...

Teresa,
agora deixaste-me curioso quanto aos factores que estao a meu favor. Sinceramente pensei que tivesse menod do que tu pelo que percebi da tua historia.
Falaremos noutro espaco. O meu mais esta ai ao lado.
Beijos

Anónimo disse...

não tenho o dom da escrita como mostras aqui no teu blog. Quero em primeiro lugar dar-te os meus parabéns. Encontrei o teu blog, por acaso, quando andava à procura de algo que falasse sobre relações à distância. E vim ter aqui ao teu blog. Vivo (Se calhar quase a acabar, infelizmente), uma relação à distância há cerca de 5 anos. Sempre estivemos distantes, acredito que através da internet (forma como nos conhecemos) acabámos por dar a conhecer coisas que se calhar mais dificilmente se davam a conhecer se nos tivessemos conhecido na vida real. Ele já quis terminar comigo no ano passado, por se sentir infeliz, por estarmos quase ausentes (fisicamente), já que gostaria de viver mais o dia-a-dia. Quem não gostaria? Acho que há factores que não ajudam, mas este com tempo é ultrapassável, jamais alguém quererá viver uma relação à distância a sério para toda a vida, penso eu. Deixei-o partir, tentei aceitar o que queria a muito custo. Orgulho-me de todo esse tempo, ter mantido com ele uma postura serena para ele versus triste quando estava sozinha. Mais tarde quis reatar. Na altura tentava alcançar a minha serenidade e uma tentativa daquelas, abalou um bocadinho o meu "sistema"...porque não esperava, porque achei-o convicto quando ele quis terminar. E a minha reacção foi um "não sei o que faça, gosto de ti, mas não sei". Perante a minha inactividade naquele momento, ele achou que seria ideal para ele seguir com a vida dele. Mas a tentativa dele de, certa forma, criou expectativas em mim. Passado um mês envolveu-se com uma rapariga. Quando soube foi com um murro na minha barriga, sentia-me sufocada. Uma semana conhecer pessoalmente e envolver-se, é forte demais para mim, mesmo não tenho nada com ele. Pedi que reconsiderasse..porque ele ao acreditar de novo em nós antes de se envolver com esta rapariga acabou por criar expectativas e fez-me tb acreditar. E andava destrooçada. Ele reconsiderou. Agora veio ter comigo e disse que anda infeliz e que não quer continuar assim. Eu sei que tenho falhado no sentido de não ir ter com ele, mas porque não tenho uns pais com muita liberdade, com uma mente muita aberta, disse que tinha solução temporária que era ele sempre que quiser, aos fins-de-semana, vinha para minha casa e dormia aqui. Eu sei que ele não gosta porque acha que tem de fazer cortesia, ser simpático a toda a hora por causa dos meus pais...eu compreendo-o muito bem, por isso, não insisto com ele. Mas estariamos os dois. Ele quer sempre que eu vá ter com ele porque se sente mais à vontade por ter casa própria. Eu sei que devo fazer algo, mas com isto que estou a passar não consigo pensar e há certas coisas ditas por ele que me travam um pouco. Quem gosta de ouvir quando está com outro alguém que está farto de perder tempo e de perder oportunidades? Eu sou muito especial, tenho imenso valor e sinto-me destroçada...sinto-me uma falhada nas relações, qualquer que seja o tipo.

Desculpe o desabafo...nem sei porque o fiz

Flower