quinta-feira, 31 de maio de 2007

Tempo

Do lat. tempu-, «id.»
s.m.
1. sucessão de momentos, horas, dias, anos, em que se desenrolam os acontecimentos; 2. parte da duração ocupada por acontecimentos; 3. período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem; duração;
4. época em que se vive; 5. período considerado em relação a determinados acontecimentos; época; conjuntura; 6. duração limitada (em oposição ao conceito de eternidade); 7. momento propício; ocasião; oportunidade; 8. época própria para certas actividades; estação; quadra; 9. período determinado para a realização de algo; prazo; 10. falta de pressa; lentidão; demora; vagar;

Muitas vezes achamos que o tempo resolve todos os problemas. Já o diz a sapiência popular.
Mas o tempo é uma das maiores problemáticas que nos rodeia. Molda-nos sem darmos conta, como moldou civilizações e religiões. Já o diz Yourcenar no seu belíssimo conjunto de ensaios: “Le temps, ce grand sculpteur”, uma bela selecta de textos em prosa (poesia, diria eu) em que vemos o tempo como o maior (mas não melhor) escultor de todos os tempos.

Quando temos grandes decisões a tomar, principalmente as difíceis, deixamos o tempo correr e adiamos a decisão o mais possível. Foi assim, e assim será, porque esperamos que o tempo nos dê uma solução mais fácil. E nunca chega!

Já todos caímos no erro de deixar o tempo passar, mas como maior escultor, o tempo também é o mais implacável.

E o mais terrível é que o tempo molda a nossa apreensão de realidade de uma forma imperceptível. Quando olhamos para algo uma segunda vez, mesmo numa fracção de segundo, já não é o que vimos antes. Afinal, nada do que vemos é real. Está moldado pelo tempo. Mesmo o teclado em que escrevo é agora diferente do que quando comecei a escrever. Tem mais suor, e está imperceptivelmente mais corroído pela erosão do meu toque e do tempo.

Também o céu que vemos à noite não existe, porque o tempo tardou em trazer-nos a informação e tudo o que vemos são factos passados. Não existe o agora ou o presente. Existe o passado e o futuro.

Assim também o tempo actua sobre a nossa vida, os nossos sonhos. Vai corroendo numa erosão impercetível. E se esperarmos que o tempo actue por nós, quando olharmos à nossa volta, só veremos ruínas.

8 comentários:

125_azul disse...

Que texto belíssimo! Mas estás a precisar que o tempo passe, porque...
Beijinhos

Melões Melodia disse...

Azulinha - obrigado. nao estou a precisar que o tempo passe, ja deixei, por muitas vezes, o tempo passar... e nunca resultou. como tenho decisoes a tomar...
beijos

Diabba disse...

Hummm ao contrario da Azul, eu pergunto:
Estás com pressa porquê?

beijo d'enxofre

Melões Melodia disse...

Diabba - nao e pressa, e necessidade de andar em frente. Ja desenvolverei o assunto.
Beijos

Pitucha disse...

Mas há alturas em que só a passagem do tempo pode ajudar!
Tudo é relativo...
Beijos

Melões Melodia disse...

Pitucha - concordo, ajuda, nao a resolver problemas mas a sarar feridas. o que nao se pode e adiar eternamente.
beijos

Tuxa disse...

Infelizmente, sou muito "hands on approach" e nem sempre dou ao Tempo tempo de actuar... mas por outro lado, tambem nao me aprisiono na fantasia de que nao tenho de tomar decisoes e que o tempo tudo resolvera por mim... prefiro saber que sou quem lidera (bem ou mal), mas que sou eu o capitao da minha vida. Bj

Melões Melodia disse...

Tuxa - e por isso que eu quero ser capitao da minha, ja sei que nao o ser nao resulta. Se alguma coisa nos correr mal, ao menos que nao tenha sido porque nao tentamos.
Beijos