sábado, 16 de junho de 2007

Desinformação

“Enquanto uma árvore cai com estrondo, milhares nascem em silêncio”

Ouvi esta frase há muitos anos (ou li-a, não sei) e disseram-me que é um provérbio chinês.
Gostei dela e ainda a recordo.
Todos os dias quando leio os jornais, leio as notícias, ouço opiniões, não deixo que esta frase me saia da cabeça.

Vivemos num mundo de “desinformação” em que tudo o que recebemos é filtrado e enviesado para o lado do mal.
A sociedade moderna é mais triste, mais deprimida sem motivo para tal. O mundo não está pior do que há 60 anos e os nossos avós eram bem mais felizes do que nós. Gostavam das coisas simples mas não tinham metade do conforto que há nos dias de hoje.

Sabemos demais, apesar de nunca ser demais saber, mas temos que saber os dois lados.
Se sabemos que há mais uma doença, temos que saber que nesse dia se salvaram outras tantas pessoas de uma até então incurável. Mataram um homem aqui, mas médicos, amigos, familiares salvaram milhares no mesmo dia. Maltrataram uma criança, mas milhares receberam mimos e carinhos até de estranhos.

Onde estão os sucessos diários da nossa sociedade? Quem fala deles? Não os há? Impossível. Impossível porque todos temos os nossos pequenos sucessos, que em conjunto fazem um grande, enorme sucesso. Afinal, e não me chamem ingénuo, acho que o amor (“caritas”) é ainda o valor que prevalece nos tempos modernos, apesar de nos tentarem negá-lo.

Os portugueses que se queixam da crise enquanto almoçam na tasca ao lado do trabalho ou tomam um café ao meio da tarde, são aqueles que há 30 anos levavam a marmita com batatas e feijão.

Os homens que dizem que só há guerra e terror, são aqueles que lutavam em África.

Os que dizem que o sistema educativo é mau são os que tinham avós que não sabiam ler.

Os que dizem que agora se maltratam as crianças, são os que apanhavam de cinto em casa e tinham que trabalhar aos 10 anos.

Os que dizem que o mundo caminha para pior, são os que viviam pior.
Mas devagarinho a nossa sociedade vai avançando, porque a floresta está a crescer e um dia ocupará o lugar das árvores que tombaram.

9 comentários:

Teresa disse...

Concordo muito ou totalmente até metade do post. Poderia concordar mais se tivesses posto um "são talvez" nos exemplos que dás. Que são bem achados, claro, mas as generalizações são perigosas.

Só não me parece que o amor (a caritas de S. Paulo) seja o valor que prevalece nos tempos modernos. Nunca foi, e a culpa não é dos tempos, estes ou os anteriores. É só das pessoas.

Beijo.

Melões Melodia disse...

Teresa - Quanto a generalizar, tens razao. Tambem sou contra generalizar, mas aqui so o usei para passar a ideia.
Quanto a caritas de Sao Paulo, quero acreditar que ainda esta. Nao nos apercebemos porque e timida e envergonhada, mas existe.
Beijos

Diabba disse...

Os mortais sempre gostaram de enaltecer o pior que há em em si!

Gostam do lado negro! Eu, por ser uma diabba e ser do contra, gosto do lado claro na vida!

beijos d'enxofre

Melões Melodia disse...

Diabba - Fico feliz por ti e por mim. Ha que marcar a diferenca. Imagino que, se hoje a minha vida e dificil, ha uns anos atras seria impossivel e disso nao me posso esquecer.
Beijos

Actriz Principal disse...

É óbvio que, se o que nos prende à TV serão as notícias calamitosas, é isso que irá passar lá. Somos um povo invejoso que, ainda que diga "ya, pois, mas com o mal dos outros posso eu muito bem", fica secretamente satisfeito pela vaca da vizinha dar menos leite e andar manca de uma das patas traseiras.
Nest post descrevo um pouco do nosso medo em mostrar que estamos bem e, ao ler este teu post, lembrei-me dele (ainda que o particular seja diferente, no geral estamos a falar do mesmo)
http://biografiadesastrada.blogspot.com/2007/03/ser-bem-disposta-deveria-obrigar-pagar.html
Como tal, eu diria que depende muito da forma como vemos a vida.

Eu, neste momento, estou a tentar aproveitar os imensos impasses e pouquíssimas certezas e transformar estas ameaças em oportunidades. Mas não está fácil, não!

Beijinhos

Rubrica Brasil disse...

Navegando por aí, achei este seu texto ótimo.
Coloquei com os devidos créditos no meu blog.
Vale para o mundo todo.
Bravo!!!

calamity jane disse...

Leio-te enquanto como uma salada de frutas com melão ;-)
Bonita frase, essa, seja chinesa ou não. E tens razão, claro, generalizações à parte. Trabalhando, como trabalho, na área, sei bem o quanto é difícil "vender" uma boa notícia. Mas também sei que se vai tentando. E, lá onde trabalho, publica-se semanalmente um ou vários artigos com "boas notícias". Histórias que falam de amor, projectos interessantes, avanços da ciência, solidariedade. Eu tento contribuir para isso também, sempre que posso. Mas tb acho importante ajudar a denunciar os horrores que se passam por esse mundo fora.
Actriz Principal: essa das notícias calamitosas foi alguma indirecta? ;-)

Melões Melodia disse...

Actriz - o que interessa e que olhemos para as coisas boas e nao nos deixemos conquistar pelo pessimismo das mas. E eu conheco-te. Sei que nisso es um exemplo.
Beijos

Rubrica Brasil - Benvinda. Ja tinha passeado algumas vezes pelo teu blog e gosto de ir ler o que por la se passa, afinal o mundo tem os mesmos problemas e virtudes nod dois hemisferios.
Obrigado pelo comentario e aparece sempre que quiseres.
Beijos

Calamity - Pois imagino que a tua area nao deve ser nada facil. Nao sei se e verdade mas tu podes clarificar-me. Tenho a sensacao que todo o idealismo de um estudante de jornalismo se vai perdendo a medida em que as noticias que tem que publicar sao decididas pelos interesses economicos e nao sociais e concordo plenamente quando dizes que ha que denunciar os horrores, mas sem sensacionalismos baratos. Como ja disse nuns posts atras, nao seria suficiente nos eventos da praia da Luz dizer que no dia tal a tal hora desapareceu de tal sitio uma menina assim e se a virem contactem as autoridades que estao a fazer o que podem para a encontrar. O resto so deprime e nao tras valor a historia.
Por isso o amor proprio dos portugueses anda pelas ruas da amargura. E o nosso fatalismo, mas tambem as noticias que nos vendem.
Se nao for assim, corrige-me.
Beijos

greentea disse...

oxalá a frase se aplique às ´´arvores abatidas estrondosamente na IC 19 !!!!!