terça-feira, 24 de julho de 2007

Ainda Portugal

Celebrou-se no passado dia 1 de Julho o 140o aniversário da abolição da pena de morte no nosso país, apesar da última pena ter sido executada em 1846. Tal decisão, no reinado de D. Luís, pioneira na Europa, levou Victor Hugo a exaltar o feito Português: “Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos”

Passados todos estes anos, Portugal, sábio na sua decisão, continua a ser um dos países mais seguros do mundo e o mais seguro do sul da Europa. De facto, de acordo com a Vision of Humanity, o GPI, índice de Paz desenvolvido pela “The Economist Intelligence Unit” é nono num extenso ranking de 121 países, merecendo destaque da organização.
“Politically stable and free from civil unrest since the mid-1980s, Portugal is the highest-ranked southern European country in the Global Peace Index. Relations with neighbouring countries are very good and the level of violent crime is very low, although human rights accord less respect than the top-ranked eight countries in the index. Other measures of safety and security in society, such as the likelihood of violent demonstrations, the level of distrust in other citizens and the number of internal security officers and police per head of population are fairly low in global terms, but notably higher than the Nordic countries surveyed. Access to small arms and light weapons is heavily restricted.”

Estranhamente, esta não é a realidade que nos é transmitida quando lemos um jornal, uma revista ou quando vemos um noticiário (e não falarei de jornais diários e canais de televisão, que há uns peritos em fazer-nos crer que estamos à beira do colapso).

Se falarmos de saúde, a organização mundial de saúde, coloca o nosso país numa honrosa décima segunda posição (numa lista de 190 países) à frente de países como o Luxemburgo, a Holanda, o Reino Unido, a Bélgica ou a Suécia.

Portugal foi ainda o quarto país no mundo e o primeiro na Europa, em Julho de 2004, a banir da sua constituição a discriminação com base na orientação sexual.
“Portugal is the first country in Europe and (after Ecuador, Fiji and South Africa) the fourth worldwide to explicitly ban sexual orientation discrimination by constitutional legislation.”

Mais estranhamente, toda esta informação foi obtida em sites oficiais, mas todos eles de países que não o meu Portugal.

Pergunto-me eu, quem tem interesse em esconder estes factos dos Portugueses, em nos fazer acreditar que nada melhora no nosso país, quando socialmente somos um dos países mais avançados do mundo, que marcámos passos decisivos no respeito e na igualdade e fomos e continuamos a ser exemplo neste sector para muitos dos países que bajulamos.

Sim, mostrem-nos o que está mal, mas dêem-nos o que está bem para que continuemos com força para seguir em frente e corrigir o muito que ainda há para corrigir.

19 comentários:

chiqui disse...

Ah grande Melao!! Tuga ate ao tutano ;))

Sabes que ainda esta semana tive uma grande conversa com americanos (quem mais) sobre a pena de morte. E contei, com um orgulho indisfarcavel, que Portugal foi um pais pioneiro ao faze-lo.
Pequeninos no tamanho, mas gigantes d'alma.

beijos grandes

Anónimo disse...

Adorei o teu post! E não poderia estar mais de acordo contigo! :-))

Anónimo disse...

A Fifi também adorou o teu post,amanhã digo mais qualquer coisa,é que hoje estou com imenso sono.Um beijo e dorme bem que eu vou fazer o mesmo

Cara D'Anjo Mau disse...

Em termos sociais acho que ainda temos que evoluir mais em temas como a imigração, racismo e xenofobia.

Melões Melodia disse...

Chiqui - Tuga sempre e com orgulho nas boas coisas por por Portugal ainda se fazem. Beijos

Anonimo - Benvindo e obrigado

Fifi - Ola! ca fico a espera da tua opiniao. Beijos

Cara d'anjo mau - sim, tambem concordo, mas nao podemos ignorar o que de bem já foi feito. Abraco

Tuxa disse...

Tens toda a razao! Rebolamos na nossa pequenez, gritamo-la aos 4 ventos e esquecemos aquilo em que nos destacamos, somos grandes e pioneiros!

Isto tambem e Portugal, pena que nao seja assim promovido por quem tem o dever de o fazer. Talvez o nosso orgulho andasse mais engomado!

Rubrica Brasil disse...

Melões parece que há mais interesse na notícia trágica do que em resultado positivo. Como dizem os americanos: "Good news are no news. Bad news are good news". É a regra geral e existem poucas exceções. Triste, mas é verdade. É só abrir qualquer jornal, revista ou assistir noticiário televisivo e documentários. Apesar de alguns buscarem outras histórias, a maioria opta por críticas, infelizmente.
Precisamos, lembrar do positivo e que ele, seja o carro-chefe, para as mudanças que são necessárias, em qualquer parte do mundo.
Até breve.

Anónimo disse...

Todo o ser humano erra,mas,quando se trata de erros politicos,as criticas são as piores,acho que deviam trabalhar mais e tramar menos.Existem seres húmanos muito invejosos daquilo que os outros conquistam com o seu próprio suor,e vocês jovens que trabalham fora de Portugal devem sentir isso na pele quando vêem até aqui.Sempre lutei por aquilo que sonhei, e quase todos me diziam que era maluca, a resposta era que enquanto eles dormiam ou andavam na borga eu fui construindo os meus sonhos e fiz deles uma realidade.Nós os portugueses por vezes fora do nosso país somos os maiores,cá dentro temos preguiça de desenvolver as nossas potêncialidades,porque isto de sermos bons já vem do berço e tem que ser ensinado nas escolas e isto por cá em matéria de ensino anda mal.Na minha opinião ninguém esconde nada de ninguém,apenas o povo português é muito negativo e antes de acontecer já aconteceu outras vezes é ocultado por interesses.Somos sempre os maiores quando puxam por nós.Isso por ai anda mal vi nas notícias agua por todo o lado.Um beijinho e continua a ser um bom Tuga apesar da distância.

Anónimo disse...

Esqueci de dizer que esta lenga lenga foi escrita pela FIFI.Chau

Diabba disse...

Não sei se concordo contigo, talvez seja do que vejo todos os dias... mas, às vezes penso que a pena de morte era justissima!

beijo d'enxofre

Melões Melodia disse...

Tuxa - e e' realmente o que nos falta, darem-nos os motivos para que deixemos de andar cabisbaixos. A olhar para o chao nao se consegue ver qual o caminho a seguir.
Beijos

Rubrica Brasil - Sem mais.

Fifi - Faco por isso. O problema e mesmo a educacao e mudanca de mentalidades, ja que nos fazem acreditar que somos mediocres e por isso nos tornamos mediocres. Ca fora veem-nos com outros olhos e toda a gente por aqui fala do nosso pais como um exemplo de evolucao, que nao se compara ao Portugal de ha 10 ou 20 anos. E estando por fora vejo que em muitas coisas somos melhores que os melhores, apesar de nao se dever comparar, porque se perde tempo que se pode aplicar para andar em frente.
Quanto a agua, olha, nunca pior.
Beijos

Diabba - sei que tu pela tua area vez o que de pior ha na nossa sociedade (estas tu em direito penal?)mas acho que toda a gente tem o direito de arrependimento, e a pena de morte e a unica irreversivel.
Beijos

Diabba disse...

Sim, fundamentalmente é de penal que trato...

Arrependimento? sincero? vejo pouco disso! Fingem-se arrependidos para convencer a Juiz a reduzir a pena que realmente merecem!

beijo d'enxofre

Melões Melodia disse...

Diabba - eu nao digo que a maioria se arrependa, mas por um que se arrependa realmente, nao achas que deveria ter outra oportunidade? E depois ha sempre o risco do sentenciado ser inocente, se o matas nao se podera defender ou provar mais tarde que e realmente inocente. Finalmente, porque nao creio que tirar a vida resolva alguma coisa e vai francamente e directamente contra os meus valores.
Beijos

geocrusoe disse...

Descobrir coisas boas sobre Portugal (sol e praia não vale não são feitos pelo homeme e aqui também é Portugal mas chove que se farta)é sempre um desafio aliciante, embora seja difícil, não pela escassez do bom, mas pelo complexo de inferioridade que se entranhou neste povo, que só procura defeitos. Mas "desinteressados" organismos estrageiros são mais competentes nessa busca.

Melões Melodia disse...

Geocrusoe - e esse exactamente o meu ponto. Abraco

Teresa disse...

Vale a pena referir também que antes de a Constituição abolir a discriminação em termos de orientação sexual... uma orientação sexual diferente não era penalizada. A lei era omissa na matéria.

A fim de vida do meu adorado Oscar Wilde teria sido bem diferente se a legislação inglesa da época fosse como a nossa. Mataram-no, literalmente. Depois da monstruosidad que lhe fizeram, só escreveu mais duas coisas - o arrepiante De Profundis e o assombroso The Ballad of Reading Gaol.

Ontem cruzei-me na Av. da Liberdade com um casal gay, estrangeiro, uma diferença de idades de perto de 20 anos entre os dois. Iam de mão dada, com um ar tão gritantemente apaixonado que não consegui conter um sorriso enternecido, que o amor é sempre uma coisa linda de se ver. Um deles percebeu e sorriu-me também. Dei graças a Deus, por eles, por viverem neste tempo, em que já não vão sntindo menos necessidade de se esconder.

Beijos para ti, quew tão desaparecido andas!

Diabba disse...

Ok, eu quando ameaço dar-te umas dentadas e tal... é mentira! Podes voltar sem medos!

Só apalparei um bocadinho, para ver se estás maduro! hihihihihi

beijos d'enxofre

caditonuno disse...

já se sabe que os jornais têm que vender, por isso exaltam o que de pior e mais escandaloso há. contudo, em acontecimentos internacionais vemos que eles nao metem aqui a pata, pois somos tao ignorantes que nos explodiríamos a nós próprios e eles é, que ficavam coma a fama! lol

Melões Melodia disse...

Teresa - devagar, devagarinho vamosandando emfrente. Temos sorte de viver nos tempos em que vivemos e espero que daqui para a frente, quem vier possa dizer o mesmo.
Beijos

Diabba - ando por ca, so que sem vontade
Beijos

Caditonuno - acho quenao percebi muito bem o que queres dizer mas ando com o cerebro demasiado ocupado.
Abraco