sábado, 28 de abril de 2007

A guerra da cueca... e da morcela.

Lá cheguei eu de Valencia da America’s cup. Não posso dizer que tenha sido um sucesso porque o barco do cliente não competiu porque não havia vento. De qualquer forma, estivemos seis horas a passear no Mediterrâneo com metade dos investidores e analistas a virar o barco, já que o barco em que íamos quase virava com a estranha ondulação que se fazia sentir.

Foram uns dias estranhos até porque não é todos os dias que um gaijo tenta engatar o melões, principalmente um analista conceituado da nossa praça. Tudo começou no avião, que o gaijo ia no mesmo vôo e sentado ao meu lado. Lá meteu conversa, mas nada de especial. Estranhamente, sempre que me via lá vinha o gaijo ter comigo, mas mais uma vez, nada de especial. No fim da conferência, tínhamos três horas até ao jantar, então combinámos ir tomar um copo no bar do hotel. Lá aparece o gaijo, com uma conversa muito estranha a saber se havia um departamento de diversidade no meu estaminé... mais tarde já dizia que tinha um namorado que tinha feito 50 anos e que já viviam juntos há mais de dez... e o Melões espantado porque não lhe perguntou absolutamente nada, nem sequer estava para aí virado.
Continua a conversa da treta a dizer que é estupidamente monógamo... e mais um copo de vinho. Senão quando o gaijo pergunta se o Melões quer ver as vistas do quarto dele!!! Será que tenho “Gay” escrito na testa? Ou “Disponível para queca”?

Primeiro a grega, depois este, que ainda hoje tenho pesadelos com o sorrisinho dos dentes de ouro. Oh balha-me Deus. La lhe disse que do meu quarto deviam ser iguais e nada que valesse a pena!

Tudo isto para chegar a casa e ver o Post da Cila sobre a guerra da Cueca!!! Com fotografias do pacote de um gaijo e de outro gaijo em poses muito duvidosas! E quando outro gaijo (um tal Cara d’Anjo Mau) comenta num dos meus posts que abriu o Melão.

Oh balha-me Deus – outra vez! Mas pensam que isto do Melões é fruta para toda a boca? O car*lho é que é! Mas se estais todos aflitinhos, A grega, o gaijo de valencia, a ex-presidenta do clube das gaijas c’o pito aos òs saltos (primeira meloada da primeira batalha), ou os comentários duvidosos de abrir melões e afins, pois digo-vos uma coisa... A Cila tem umas morcelas que vos podem ser úteis, mas depois de assadas e acabadinhas de sair do fogareiro... é que assim durinhas entram mais facilmente carago! E se for preciso, um pouco de mostarda pode ajudar!

E se a minha cara metade mais que tudo vê isto o que é que irá pensar? Vocês querem arruinar-me e destruir-me a relação?

O que me vale hoje é a boa disposição, que vem aí a minha cara metade mais que tudo passar semana e meia... de certeza que o Melão vai ficar bem mais doce... Um docinho!

E vai concerteza postar menos.

E quanto à morcela, bom proveito!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Reflexões II

O Inverno do Melões

As dúvidas

“Não sei!
Não sei dizer não!
Penso tanto, quero tanto, que quando chega a altura de falar, só sei dizer: “Não sei…”, um não sei surdo, baixo, a medo, um não sei que sabe, mas não é capaz de saber.
É assim que eu sou, este ser dual que pensa que sabe tudo mas não sabe nada.
Esta dupla vivência de ser ignorante, que tem perfeita consciência do que é e do que quer.
Enfim,
Não sei!”

Melões, 22 de Julho de 2001


A impossibilidade de poder voltar a amar

O amor que sinto é tão imenso e forte que sofro por não amar”
***
"O tempo passa, O amor fortalece,
Morre a paixão, mas não a dor da perda,
E a infinita saudade
É um doce sofrimento,
A serenidade
De um amor que morreu”
Melões, 03 de Julho de 2001

E ainda o amor

Por vezes cremos que nascemos para sofrer,
Não para amar,
Porque amar é sofrer.
É simpatizar,
Como o Grego,
Primeiro sofredor,
Simpático,
Isto é,
Amante”
Melões, 3 de Julho de 2001

Reflexões I

O Inverno do Melões

Decidi criar esta rubrica para dar a conhecer o longo Inverno do Melões. É um espaço onde conto os momentos mais difíceis e reflexões de um melão perturbado, através de reflexões escritas durante o longo Inverno. Na altura, não queria que ninguém soubesse o que pensava ou sentia, mas hoje, creio que é altura de mostrar pelo que passei, já que a pena não é mais um sentimento que possa provocar. Hoje creio que ao mostrar o que sentia posso ajudar a que se compreenda o que é viver como vivi, esmagado por dentro mas com um sorriso por fora.


Sobre o dia em que decidi deixar de me tratar

“Já lá vão três anos…
São três anos em que o tempo corre por si e é dono do destino. Foi nessa altura, nessa terra fria e distante, num cinzento dia de Dezembro que me entreguei ao destino.
Não me lembro do dia, mas por certo era cinzento como todos os dias desse Dezembro.
Só que passados esses três anos tudo continuou cinzento e o Sol tardou em raiar.
Primeiro houve o medo, depois a ira, a fúria, a angústia e por fim a dor de não ser capaz de sozinho trazer o Sol, pior do que isso, nem acompanhado”
Melões, 29 de Junho de 2001


A tentativa de aceitação

“Há pessoas escolhidas para sofrer. Como há pessoas escolhidas para serem felizes, ‘unicas, bem sucedidas, fracassadas, ou tudo isto!
Eu fui escolhido para sofrer. Mas como não sei lidar com o sofrimento, faço sofrer.
Por vezes achamos o nosso fardo tão grande que acabamos por distribuí-lo por aqueles que mais amamos. E esquecemo-nos de que eles também têm o seu próprio fardo.
Enquanto não aceitar ou procurar a razão de ser escolhido para sofrer, viverei na angústia de fazer sofrer os outros.
Quando aceitar, poderei então ser feliz no meu sofrimento”
Melões, 22 de Julho de 2001

A obsessão pela morte

“Nasci um dia, mas nasci morto.
Assim, poder-me-iam ter deixado, mas fizeram tudo para que vivesse.
E por isso cá estou, e arrasto-me sentindo que há uma parte de mim que não está.
Sinto que já não pertenço aqui. Que no dia em que nasci e morri deixei ficar alguma coisa do lado de lá que me impede de sentir-me humano, realizado e de atingir neste mundo a plenitude.
Só estarei completo quando morrer uma segunda vez!”
Melões, 22 de Julho de 2001

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Num País de loucos

E de gente sexualmente mal resolvida (sic Cilinha)

Parece que o Verão chegou à bifalândia e com as altas temperaturas chegou a hora de mostrar as carnes... Infelizmente, não há selecção nas carnes a mostrar, as melhores devem ficar escondidas... talvez por isso é que não mostro as minhas! Nem tu ó Cila!

Pois eu e a Cila fomos jantar no sábado. Não sei o que é que se passou comigo que dormi o dia todo... deve ter sido do calor e mudança súbita de temperatura. Mas lá fomos jantar, que a Cila ia duas semanas para as Américas e o Elvis já estava na Tulipalândia.

Decidimos comer numa esplanada. A Cila, como manda o tempo, e a mania que têm as gaijas de que estão gordas, lá pediu uma saladinha enquanto o Melões comeu uma perna de pato com feijões, um crême brûlée de maracujá, regado com um Rioja Cosecha 2005...

Claro que não estou aqui para dizer o menú, que vos deve interessar tanto como a fórmula da fotossíntese, apesar de explicar porque é que o Melões ultrapassou os 70kg e entrou em estado de choque. Estou antes para vos dizer as visões dantescas que passaram diante dos nossos olhos em tal jantar...

E claro, como aqui o melões não gosta nada de comentar... as coisas ainda poderiam ter corrido mal, se Melões e Cila não estivessem desidratados e a água não fizesse falta à reposição de líquidos... é que de certezinha nos tínhamos mijado a rir ali mesmo...

São os gaijos com as calças por baixo do cu, e as gaijas com as saias por cima do umbigo! Carago, se ao menos houvesse cus jeitosos... mas nem isso, e as mamas, que apertadinhas em tão diminutos tops, quase saltavam e vazavam as vistas de quem passasse na rua...
Ninguém diz a estes bifes que as carnes se vendem no talho?

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Dilema resolvido antes de surgir

Sou uma pessoa com sorte.
Já por três vezes passei a barreira da morte e disseram que tinha os dias contados.
- A primeira vez quando nasci (e não recordo) – ainda tenho na minha cédula de nascimento a inscrição: “Nado Morto” à qual adicionaram com tinta de diferente cor “aparente”.
- A segunda aos doze anos, quando em simultâneo se me entupiu uma veia na perna, ganhei uma severa infecção nos pés devido a não ter circulação na perna e associada a uma paragem intestinal.
- A terceira é só minha e a única para a qual ainda não há explicação.

Estando eu internado em isolamento e dias contados, tive uma reacção surpreendente. Recebi uma visita de um amigo, depois de sair do isolamente e dele regressar da lua de mel (kind of) no Brasil. Este gajo, ateu e comunista convicto disse o seguinte: “- nestes momentos até me sinto tentado a acreditar em Deus!”

Ainda há uns dias, me disse algo parecido a Altinha Pintona, enquanto esperávamos embarcar no Porto: “-Tu és o maior milagre da minha vida”

Claro, pensas que realmente há alguma energia que olha por ti (chama-lhe Deus ou o que quiseres), e sem acreditares em destino, acreditas que estás aqui para alguma coisa.

No dia em que tive a confirmação de umas análises limpas, disse-me que faria tudo, mas tudo o que pudesse para ajudar quem fosse, como fosse ou onde fosse. No meio do meu mau feitio, sou tolerante e aceito tudo e todos e acho que tenho que fazer algo pelos outros que não conheço, e assim por mim.

Tudo isto, porque noutro dia me ligou o meu médico que me quer fazer um exame. Um exame delicado, doloroso, invasivo e não isento de riscos. Já o fiz uma vez, quando estava doente e disse que não o faria mais. Mas não posso dizer que não.

Escolherei uma data e tirarei uns dias de férias. Serão umas férias estranhas... passadas numa cama de um hospital... mas não é a primeira vez que digo que vou de férias para ocultar a verdade. Da primeira vez, curei-me a mim, se agora puder ajudar à cura de mais alguém...

Num dia de Janeiro resolvi o dilema que hoje se me apresentou pela voz do meu médico.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O passado volta a atacar

Sexta fui a um concerto.

A Meloa irmã, que vai casar com o D. Rodrigo, otário dos Algarves de Aquém e de Além Mar, ia actuar. Estava lá o passado... OK, podiam ser coincidências, mas não. Afinal não há coincidências.

A Meloa Irmã tinha convidado o passado... Tal falta de bom senso é explicativa da decisão da Meloa querer casar com o D. Rodrigo, otário dos Algarves de Aquém e de Além Mar... afinal quando a falta de bom senso impera, muitos actos, dos quais este estranho matrimónio que oferece exaustores de prenda de Natal, são explicados.

No final do concerto houve uns bebes e o Passado lá estava, e eu também.

Foi difícil ver o Passado, não por razões emocionais, que essas há muito foram ultrapassadas. Foi difícil porque parecia triste, um Passado derrotado e com um aspecto sofrido. Aspecto de quem sofre no corpo e na alma.

Porque tenho eu de encarar um Passado que quero ultrapassar? Recordações de que a minha sorte é só minha e que a vida em geral corre implacável.

Mas a história não acaba aqui. A Meloa saca um envelope do bolso e entrega-o ao Passado. Um convite para o dito Matrimónio que ocorrerá dentro de 4 semanas.

Um matrimónio em que sou Padrinho da Meloa, onde tenho de aturar o D. Rodrigo, otário dos Algarves de Aquém e de Além Mar, enquanto tenho em frento um Passado que não quero enfrentar.

E, acima de tudo, sabendo que a minha cara metade mais que tudo não estará lá para me apoiar.

domingo, 8 de abril de 2007

O afilhado e ainda a avó

Tenho um afilhado. 4 anos.
A criatura também é meu primo directo e neto da mesma avó.

O melãozito soube que a avó morreu, o que lhe fez muita confusão, e como curioso que é, lá começaram as questões...

Melãozito para avô materno:
- Para onde é que foi a avó?
- Para o céu, para o Jesus, agora anda a saltar de nuvem para nuvem...
- E porquê?
- Porque era velhinha
- Tu também és muito velho. Quando é que morres e vais saltar para as nuvens?

Melãozito para o Melão Sénior (o meu pai)
- Ó tio melão, porque é que há tantas velas no cemitério?
- Para a avó ver o caminho para o Jesus...
- hmmm, mentiroso... o meu pai tem uma lanterna...

Não há nada como as crianças... só espero um dia poder ter a minha