quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Feliz 2008!

Hoje é, provavelmente, a última vez que escrevo aqui algo este ano. Amanhã chega a cara metade com quem espero passar uma semana excelente.
O balanço do ano que agora termina é muito positivo, como fui dando a conhecer neste meu primeiro ano de "bloguices". Foi bom conhecer gente nova, matar os meus fantasmas, voltar a fazer o que mais gosto. Acima de tudo, reencontrei-me quando enterrei os meus fantasmas e comecei a ajudar os outros. Posso afirmar que 2007 foi um dos melhores anos da minha vida e todos vós fizestes parte dele.
2008 será um ano de mudança, um ano de novos projectos. Mas a vida é isto mesmo, mudar. Não é nas águas estagnadas que se encontra a vida.
Por isso, e com a base e confiança que 2007 me deu, parto para 2008 de braços abertos.
E é com estes braços bem abertos e um sorriso bem rasgado que vos desejo um ano de 2008 melhor e muito feliz.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Natal


Há cerca de dois mil anos nasceu um menino que veio mudar o mundo.

Podemos acreditar ou não neste menino que nasceu.

Este menino revolucionou o mundo de então, fez frente aos poderes instituídos e pôs em causa, com as suas ideias e ensinamentos, a ordem então estabelecida que se definia na diferença de classes.

Como já Malaquias havia dito : "Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, resistir quando Ele aparecer? Porque Ele é como o fogo fundidor."

E é neste mistério, abraçado por crentes e não crentes, que nos unimos neste fogo fundidor.

É através desta bela história milenar, que ainda hoje nos lembramos de falar com amigos esquecidos, que recordamos os amigos idos, que temos uma palavra e um gesto para aqueles que a vida espezinhou.

Acredito que hoje se celebra o milagre da vida e que o Natal não é, nem pode ser todos os dias porque a vida não é banal.

Jesus, sendo Ele filho de Deus ou não, tendo sido concebido e gerado numa virgem ou não, foi esse fogo fundidor como o disse Malaquias.

Para mim foi um Homem bom, que eu admiro profundamente e que me serve de exemplo. Divino ou humano, Divino e humano, não me interessa.

Faz-me sorrir, acreditar no que é bom.

Perdi uma avó este ano, perdi um amigo e hoje sinto a falta deles, mas não estou triste porque hoje é Natal e recordo com muita ternura os Natais na quinta e os doces da avó.

E por muito ruído que haja, todo o consumismo do mundo moderno, sentar-me-ei à mesa com a família e recordaremos as histórias dos que já não estão.

Olho então para o presépio. Vejo este menino pobre, recém nascido que veio mudar o mundo para melhor. Vejo este fogo que nos funde nesta noite, em que as diferenças se atenuam e as dificuldades se vencem como disse Isaías: "Os vales serão elevados, montes e colinas serão abaixados, os cumes aplanados e as escarpas niveladas."

Respeito quem acredita no menino Deus. Respeito quem não acredita. Eu mesmo, não sei bem onde me situo.

Acredito que hoje, nesta vigília do Natal, o fogo deste menino ainda nos une e nos torna melhores porque tendemos a esquecer os momentos difíceis e a desculpar os que nos magoaram.

Porque hoje celebro a vida, a tua, a dos que estão comigo, a dos que não estão, a dos que já estiveram, e, acima de tudo, se me permites, a minha.

Por isso aqui vos deixo os meus votos de um Santo Natal, e, mesmo podendo ser banal, desejo-vos saúde, paz e amor.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O concerto e as Cangalheiras

Quinta-feira tive o meu primeiro concerto desta época festiva. Pensei não ter corrido muito bem. No fim do concerto as vozes do coro estavam cansadas, havendo passagens que sairam longe daquilo que eu desejaria. No entanto, a opinião dos presentes, incluindo amigos honestos e despretensiosos, foi que o concerto correu bastante bem, o que me deixou muito feliz.

Claro, logo pensei no que já há muito penso. Nos estranhos vícios de quem estuda e analisa música. De facto, acredito que, normalmente, não são os músicos os que mais disfrutam com um concerto. O seu ouvido educado, sensibilizado para a mais pequena desafinação e diferentes técnicas, leva-os a ouvir os concertos de uma forma demasiado cítica e buscando os erros. Focam-se demasiado no tocar música deixando de lado o ser capaz de fazer música, pois a técnica não aceita erros mas poder-se-á tornar numa música fria sem emoção como um robot que vi há coisa de duas semanas no noticiário da BBC a tocar Pompa e Circunstância de Elgar em violino sem um único erro, mas extremamente chato.

Isto para dizer que acho que se fez música, boa música e que as pessoas sairam felizes e revigoradas.

Sexta-feira, pela manhã bem cedo, parti rumo à capital onde não ia com tempo há um bom par de anos. Visitar colegas de longa data, jantar com os velhos colegas do estaminé, seguido de docas e Lux, numa noite que acabou às sete da manhã.

Os meus planos para sábado foram ligeiramente alterados. Tinha pensado comprar determinadas coisas para as Cangalheiras do Apocalipse, mas os planos sairam-me furados devido a ter acordado tarde e a não ter grande disposição para andar às compras na normal confusão que antecede o Natal. Sendo assim, o meu lado preguiçoso levou-me até ao Ritz, onde, sem confusões, comprei umas belíssimas caixas de chocolates porque nunca gostei de dar o que não gosto de receber, ou seja, porque acho que devo oferecer o que realmente gosto.

Regressei ao hotel para uma sesta e onde às vinte horas a minha amiga Famosa me foi buscar para ir conhecer outras duas cangalheiras, num jantar já há muito programado.

Claro, a minha amiga Famosa, devido a não saber segurar na mangueira, fez com que, pelo caminho, levasse um banho de gasóleo. Chegados ao restaurante, sentámo-nos à espera da Letrada e da Excomungada (que chegaram por ordem inversa), dado que a Emigra, infelizmente, não pôde comparecer.

As minhas expectativas sairam completamente acertadas e o jantar correu lindamente, perfeito diria eu, não fosse o sujeito que martelava num piano o mais variadíssimo repertório, com fabulosas variações que tornavam as famosas melodias irreconhecíveis. Gostei imenso dos presentes trocados, fiquei pasmado com as qualidades do Excomungado, e muito curioso com o livro oferecido pela Letrada.

Mais tarde, ainda pensando neste belo jantar, dei a mão à palmatória, eu que pensava que a blogosfera não serviria para conhecer pessoas. Ali à mesa estavam sentadas quatro pessoas, todas muito diferentes umas das outras, que dificilmente se viriam e conhecer, não fosse este estranho mundo dos blogues (excepção feita à Famosa, amiga de longa data).

A Letrada, fruto de uma vida social intensa, não deixa a conversa esmorecer e tem sempre alguma história divertida a contar. A Excomungada, atenta e extremamente perspicaz, mais ouvinte que contadora de histórias, mas sempre com comentários pertinentes no momento certo. A Famosa, natural conversadora, sem problemas em abrir o coração e expôr alegrias e tristezas, corajosa e olhando sempre em frente...
E as três tão diferentes, tão simpáticas e interessantes tornaram o jantar muito agradável, que as horas foram voando até bem depois da uma da manhã.

No dia seguinte, a amiga Famosa, foi-me buscar ao hotel, oferencendo-me almoço e lanche, enquanto eu me deliciava com a Maria Albertina até ao meu ataque de alergia.

Cheguei ao comboio e dormi até Coimbra para me preparar para mais uma semana de ensaios e concertos.

Para trás ficou um fim de semana interessante em que pus cara a quem até então só conhecia através deste mundo estranho que nos une através da rede.

E não fiquei desapontado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Concerto


E ao fim de quase dois anos, terei outra vez à minha frente um pequeno ensemble a interpretar peças desde Pedro de Cristo até Carrapatoso no meu querido Porto.


E assim vale a pena todo o trabalho e falta de horas de sono desta semana.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Respeito e censura


Se há coisas que aprendi com o tempo, foi a não deixar-me chatear com o que não merece.

E há algumas histórias que se não fossem para chorar, me fariam rir. Quer dizer, ainda fazem...

Acho fabuloso a facilidade com que as pessoas falam umas das outras sem se conhecerem. Fazem juízos de valor e julgam com uma facilidade, mostrando factos tirados daqui e dali, mas sem terem, realmente, estudado o que comentam, e mostrando uma superficialidade nos seus comentários que me assusta. Porque acima da liberdade de expressão, está, para mim, o direito ao respeito e à dignidade, dignidade essa que é o lema do meu canto, justificando por si só a minha gestão do espaço.

Há quem não concorde com a minha opinião. Muito bem, se fundamentado. Vejo um mundo com os olhos selectivos, onde quero exaltar o que há de bom. A vida assim mo ensinou e deu-me muito por acreditar. Terei ficado um romântico? Sim,... posso até ter uma visão romântica do mundo, apesar de me achar bastante analítico (uma crítica que me fazem muito regularmente). Há pessoas que me chegam a chamar cerebral. Não sei porque será. Talvez uma defesa que usei muitos anos para esconder as emoções e não sofrer que terá deixado algumas sequelas.

Amo o meu país, amo a minha língua tal e qual ela é, respeito a minha integridade e não fujo aos meus princípios.

Sempre fui educado com respeito e fui respeitado em casa. E é esse respeito que devo a toda a gente que me rodeia. Quem não me respeita, merece ainda o meu respeito mas não merece o meu tempo.

Seja Português ou não, fale a língua de Camões, de Pessoa, de Saramago, de Amado ou de Mia Couto, de Pepetela ou Arménio Vieira, ou fale outra qualquer língua, merece igual respeito.


Não respeito é insultos gratuitos, nem tenho que conviver com opiniões das quais discordo. E por gostar de educação, de sensibilidade, de bom senso e acima de tudo de argumentos construtivos, por tolerar diferenças culturais e acima de tudo, por defender a diversidade, não posso tolerar, num espaço que é meu, discussões absurdas em que a razão não aparece e se exponenciam divergências. E antes de qualquer censura, censurada por outros, dei a minha explicação aos visados. Uns agradeceram, outros entenderam e isso basta-me.


Posso até viver longe do meu país, mas sei o que nele se passa. Leio os jornais portugueses, mas também os outros, e por, felizmente, ter vivido em Madrid e viver em Londres, onde impera o mau jornalismo, aprendi a separar o trigo do joio.


Quanto ao meu país, como já o disse, tenho uma visão isenta, de quem vê o que se diz cá dentro e o que se diz lá fora. E venho cá todos os meses.


E apesar da muita estupidez que se vê por aí, continuo a acreditar nas suas gentes, na sua cultura e na sua abertura. Sem manipulações da imprensa sensacionalista e sem o pessimismo generalizado dos demais. Acredito que temos que gastar as nossas energias onde relamente vale a pena. Aos demais, que sejam felizes.


Serei romântico? Creio que não.


Sou unicamente fiel aos meus princípios.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Natal Feliz!



Lembram-se de quando vos disse que há muito não sinto o Natal como quando era criança? Pois não sei porquê, este ano estou feliz porque é Natal.

Não sei se foi por ter cá os pais Melões, e ter passeado com eles pelas ruas de Londres debaixo de temporais de frio, chuva e vento, ou se foi por ter ido com eles até a Somerset House e ter patinado no gelo com o pai Melão, ou se foi por ter ido a Covent Garden com os papás e la ter bebido um Mulled Wine acompanhado the Mince pies (ou municipais como o pai Melão bem lhes chama). Pode até ter sido passear por Oxford St, Bond St e Regent St no sábado sem carros em que um milhão de pessoas desceu ao West End enquanto se ouviam as mais famosas Christmas Carols pelos mais diversos grupos, às portas dos grandes armazéns da cidade.

Também pode ter sido pelas festas de Natal. A do estaminé, em que ganhei um perú que canta o “Jingle Bells”, ou a do Hospital com os meus meninos. Ou os concertos de Natal, aqui e ali. Ou mesmo preparar os concertos de Natal para a próxima semana no meu adorado Porto, e estudar as partituras e maravilhar-me com as pérolas dos cancioneiros portugueses.

Outra razão poderá ser a possível ida da Cara Metade para Portugal, onde recebeu uma excelente oferta de trabalho e que vem fazer com que os planos, aqueles que tinham ido pelo cano, ganhem ainda mais força; ou saber que amanhão vou até ao Meloal onde passarei quase um mês com família e amigos, e onde os jantares, almoços, cafés e copos, se amontoam e ocupam a minha agenda...

Não sei se será por isto, ou porque simplesmente ando feliz, feliz comigo e feliz com o mundo.

Feliz porque acredito que não há más pessoas. Feliz porque este ano conheci exemplos de bravura. Feliz porque me atirei a projectos que há muito queria fazer.

Feliz porque vejo os meus meninos de sorriso rasgado.
Feliz porque vejo um olhar de orgulho e despreocupado e uma alegria imensa nos meus pais.

Acima de tudo, feliz porque não esperei pelo Natal para fazer as coisas que queria, e em resposta ele deixou-me sentir a magia.

Feliz porque sou eu, porque estou aqui e porque recebi muito mais do que o que dei.

Feliz porque o guerreiro nasceu de novo. Feliz porque é o meu Natal!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Assim vai o meloal

Quando olho para o meu país não sei se ria ou se chore. Gosto do meu país e pensava gostar das suas gentes.
Individualmente, continuo a achar que somos o povo dos brandos costumes, tolerantes e hospitaleiros.
Mas socialmente, o país desilude-me e envergonha-me.
Desilude-me o pessimismo e saudosismo. O dizer mal e viver de memórias do passado.
Só que estas memórias são selectivas e curtas porque hoje se vive melhor do que há vinte anos.

Cada dia me irrita mais ler jornais portugueses. E um morto aqui, outro ali, uma bomba que explode.
A criminalidade aumenta e a culpa é do Brasileiro.

Ainda estou para descobrir de onde vem este novo ódio dos Portugueses pelos Brasileiros.
É um ódio estranho, dado que metade dos Portugueses já foram passar férias ao Brasil e apoiaram a selecção brasileira nos mundiais de futebol, quando portugal já estava fora de jogo.

Sei que há comentadores do outro lado do Atlântico que deixaram de comentar neste canto por abusos tão somente porque são brasileiros.

Mas se há coisa que não admito em nenhum lado é intolerância, muito menos neste blog. Intolerância alimentada pela imprensa de TVIs, Portugal Diários e afins e por uma ignorância de bradar aos céus.

Sim, porque quando um crime é cometido por um Português, não se refere a nacionalidade. Mas se é um Brasileiro, logo se dirá que “um Brasileiro matou, roubou,...”
Provavelmente se um Português roubou, nem terá direito a ocupar um lugar nos jornais.

E quando olho para os jornais ingleses, faço pesquisas na internet, verifico que Portugal ainda é considerado um dos últimos paraísos na terra, com muito baixa criminalidade, mesmo comparando com países desenvolvidos com os quais nos gostamos de comparar. Estranhamente, no último relatório da União Europeia sobre a criminalidade, os Portugueses são os que têm mais medo, mas os que têm a mais baixa taxa de criminalidade!

Se há crimes em Portugal? Claro que há. Se estes aumentaram? Claro que sim, e é preciso pôr travão. Mas não é necessário arranjar um bode expiatório no Brasileiro que atravessou o Atlântico em busca de um mundo melhor porque a maioria dos crimes são cometidos por Portugueses.

Porque o Português é ladrão sem o reconhecer. Rouba o país quando compra imitições de marcas, quando pede sem factura para não pagar o IVA, quando mente na declaração da renda, rouba tanto, que se rouba o direito de ter um orçamento digno para fazer as reformas que o país necessita e tornar o país ainda melhor naquilo que até hoje soube fazer:
Acolher sem medos e sem rancores. Receber de braços abertos e sorrir para o mundo.