sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vinte e Nove de Fevereiro

Hoje é vinte e nove de Fevereiro. O dia que temos cada quatro anos.
Não sei se é o efeito do álcool (porque tive uma tarde de Pub) ou se é a minha alma que fala.
Perdoem-me Pituchas e outras que tal, que não gostam das histórias contadas ao milímetro. Mas este sou eu. Como me disse a diabba, tenho uma enorme tristeza dentro de mim.
Não sei, talves tenha. Gosto de dramas quando falo de cinema e músicas tristes. Anseio ser feliz, mas nunca atinjo a plenitude.
Não sou rico, mas admito que vivo bastante acima da média. Sempre vivi. Nunca deixei de comprar nada porque não podia. Materialmente tenho tudo o que me poderia fazer feliz. Só não tenho a felicidadade.
Até sou amado por quem amo, mas nunca sou eu, completo e feliz.
A minha vida é uma série de eventos tristes. Tristes como eu sou por dentro. Alma rompida, devassada pelo que de mau pode passar... e incapaz de aproveitar os bons momentos.
Não sei se será porque tive um pai abandonado pelo seu pai. Ignorado, violentado e ainda assim que guarda as ilusões de criança que não consigo ter. Para mim, vida é sinónimo de dor, sofrimento, morte... poque uma não existe sem a outra.
Não sei dizer se nestes trinta anos (pouco mais) a vida me tratou mal ou bem.
Sofri. Sofri muito, pelo que sou, pelo que fui. Pelo que nunca pedi para ser.
Sofri por mim, pelos que amo e por aqueles que nem sequer sabem que existo. Escapo-me de mim e dos outros. Salto de lugar a lugar à procura de uma resposta que nunca encontro. E quando sou encontrado fujo de novo.
Sinto-me como uma formiga que corre no carreiro onde andam as outras formigas. Na merda corriqueira desta vida. Não vejo o cego hipopótamo que caminha cego e nos pisa e mata. Sei que anda por aí mas não nos vê.
Não sei quando comecei a sentir esta necessidade de deitar tudo cá para fora, tudo é grande dentro de mim. No fundo sou um criador com tanto para criar, que antes de conseguir expelir o que tenho cá dentro, fui-me enchendo. Tenho agora uma pressão crescente dentro de mim de tudo o que quer sair mas não sai. Como um vulcão que se enche de lava até rebentar um dia com toda a destruição e criaçåo implícita na sua violenta explosão.
Marinha cor imensa que afogas na mágoa dos amantes
E a dor que deles parte e neles une os corpos ensanguentados desta guerra
É a dor da alma triste de um povo que vagueia na enfermidade que passa ao lado das formigas desta urbe que seguem em filas cheias e não param, mas não sabem se para o Sol ou de lá terão de cumprir.
Só sabem que têm de ir algures, sem ver esta profunda mágoa que vem pois não se deixam sentir, amar, afogadas na merda corriqueira que abala, comanda e fode o Universo sem dele se valer.
Basta olhar para cima para te ver, e para saber que ainda há espaço. Mas é por saber que a mágoa existe, porque todos os que passam são seres, infinitos, como tu.
Daí a mágoa, a doença e o amor qué é a necessidade de sair deste invólucro que nos prende sem nos podermos expandir como devemnos
Porque o infinito é o Homem obrigado a viver na carne, limite sofrível e perverso que esmaga, mata e fode a energia que alguém um dia se lembrou de chamar Deus.

11 comentários:

Deda disse...

Olá, vamos ao almoço de domingo! Queria saber se já há restaurante definido! Beijos ameloados

geocrusoe disse...

quanto mais te leio menos te acho infeliz.
Inquieto, insatisfeito permanentemente em busca de um mundo melhor e de te sentires realizado, não só profissionalmente mas também humanamente, o que te obriga a dares-te ao mundo para ver se ele se torna mais ideal e é essa busca da tua missão que te incomoda e te fazem sangrar as feridas que tiveste em momentos de infelicidade e ansiedade no passado... mas isso que te preocupa e que te confunde é o motor do que tu és... um homem marcado, que procura fazer o bem e que não se sente bem enquanto o mundo à sua volta não estiver completamente bem. É este o teu fado e com ele terás de conviver e ser feliz se já não o es mesmo sem saberes.
Ser idealista magoa muito.

Anónimo disse...

A única coisa que te digo é que tens tudo para seres feliz,por isso aproveita e deixa fluír a vida.Espero que amanhã estejas melhor,beijinhos da FIFI

Melões Melodia disse...

Deda - sim, ha restautante definido. Grelha d'Ouro, 151 South Lambeth Road (Stockwell ou Vauxhall stations). Eu nao vou poder ir, confirma no blog do Wask (tens o link ao lado)ou envia-lhe um email: vrodrigues37@aol.com
Beijo

Lua disse...

Um dia havemos de ter uma conversa rapaz...

Acho-te verdadeiro. Com uma alma potente.

Espero que acredites.

AEnima disse...

Quando sofremos somos as pessoas mais egoístas do mundo. POrque a dor é nossa, logo maior do que qualquer outra que exista. Deixa-te ser egoísta. É preciso, é necessário, para curar. Pior é sofrer e ainda nos sentirmos culpados por isso porque outros tb sofrem. Caguei para os outros. Deixem-me chorar sozinha. Faz o mesmo quando precisares.

AEnima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Deda disse...

Obrigada! Já avisei o Wask. É uma pena não ires!

amigona avó e a neta princesa disse...

Quando abres assim a alma, fico sempre sem jeito!!!Sinto que encontrarás o caminho!!! Beijos meu querido e terno amigo...

Diabba disse...

Hummm li bem?? tu escreveste "fode"?? 2 vezes??

Gosto mais de ti em Março!

beijo d'enxofre

Nota: e quanto ao "disse a diabba" só falo na presença do meu advogado.

Paulo disse...

Oh, rapaz, aproveita e vai ver o mar, engole o sol destes dias frios.
Este texto tem tanta melancolia, que dá vontade de te abraçar até diluir todas as mágoas, as sensações de estar sempre aquém, de que tudo te escapa, de que o sofrimento domina...

Podes continuar a buscar a felicidade, a que tens direito, mas pensa mais em ti, no corpo que tens e na sorte de estares vivo e poderes experimentar tanta coisas boas, como o amor e a sorte de ser amado!

Um abraço