quinta-feira, 5 de junho de 2008

Que Futuro?

Voltei, pois voltei.

Às vezes penso (como agora) antes não tivesse voltado.

As coisas estão pretas, pretas mesmo… eu eu que tão bem estava no meu cantinho , num quarto de hotel de onde via a serra de Sintra e ouvia os pássaros, sem ver carros, estradas ou sinais do bulício da vida moderna.

Tempo ameno, comida boa.

Chego a Londres e vejo que as minhas esperanças, as minhas oportunidades, se desvanecem. Não se perdem. Desvanecem-se porque deixam de lá estar.

E, de repente, depois de me dizerem que tenho de ir a Oslo fechar um negócio, que há outro a caminho, recebo o que esperava mas não esperava.

Tenho que me candidatar ao meu trabalho. Depois de nove anos de casa, de muito trabalho feito, de muito dinheirinho ganho para os bolsos dos accionistas.

E isto porque alguém sem dimensão se lembrou de comprar o que não podia. Comprou sem ter dimensão ou capacidade. Comprou por um orgulho idiota. Comprou para ter de descontinuar o que dava valor ao estaminé porque não o comprende.

Os meus amigos de Espanha com quem trabalhei 4 anos (aqui e ali) desvaneceram-se no ar. Aos de Portugal, certamente acontecerá o mesmo. E aos de França, e aos da Holanda.

E claro, agora, só, nesta casa que já não consigo sentir como minha, pedem-me que me candidate a um emprego que é meu. Uma equipa que mantive, uma carteira que construí. Porque como está não pode estar, porque não sabem nem entendem.

E o mais estranho de tudo é que não me vejo minimamente preocupado. Já não acredito neste projecto e ninguém morre de fome por perder um emprego, mas morre-se de frustação por fazer o que não se quer.

Se o meu futuro está aqui, não o sei. Se não está, é porque não tem de estar. Um problema resolverá outros. Talvez seja o momento de regresar a casa, ou ao país do lado, juntar-me à minha metade.

Só me preocupam os meus meninos e outros projectos que salvam vidas que, eventualmente, terei de deixar por aqui.

E apesar dos resultados do teste anterior, hoje estou apático. Amanhã ver-se-á.

9 comentários:

Diabba disse...

:)

Às vezes o que nos parece negativo, não o é. É só uma oportunidade de mudar de rumo.

Mas sou de opinião que deves testar o destino, para saber se é mesmo para mudar de rumo.

Portanto, faz o que tiveres a fazer para te candidatares ao lugar que já é teu. Se não ficares é a indicação que é o momento certo da mudança, e aí investe na mudança, nem que seja uma mudança radical.

beijos d'enxofre (vários, que eu hoje estou mãos largas)

Anónimo disse...

Tenho a certeza que vais vencer mais esta etapa com grande exito,ou não te chames músico guerreiro.Beijinhos e nunca deixes de acreditar em ti

geocrusoe disse...

"Morre-se de frustação por se fazer o que não se quer", mas acrescento, se não se encontrar uma via para se fazer outro algo que se quer e gosta, a tempo inteiro ou em tempo-livre.
Quanto ao resto, nem sei o que dizer, excepto que deves continuar a preocupar-te com projectos que salvam vidas ou tragam a felicidade a ti e aos outros.
De Oslo, a imagem mais forte que persite em mim é estar sozinho à noite no parque Vigeland, cheio de neve e lua cheia... pode não ter sido seguro, mas belo foi!... e nunca mais me esqueço daquele belíssimo espaço!

Anónimo disse...

Meninos e pessoas a precisarem de ajuda, existem em todo o mundo,vi coisas muito tristes em Viena,pois que a droga para mim é das coisas que mais me afligem,será que os drogados não compreendem que estão a criar grandes riquezas com as suas misérias.Para mim o ideal seria que cada país tivesse um grande campo onde os próprios drogados cultivassem a sua droga e vivessem com o seu vicio, viveriamos todos felizes com as nossas escolhas, e seguros, e os deuses do mal seriam banidos para sempre, a outra mensagem era minha um beijo da FIFI. É verdade aqui no teu lindo país também tens muitos meninos e grandes que te esperam e o nosso país é como uma mãe sempre de braços abertos para nos receber.Chau que tenhas tudo que mereces.

Melões Melodia disse...

Diabba - e o que vou fazer esta tarde. Preparar o meu papelito para enviar aos recursos humanos... mas estou sem vontadinha nenhuma. La farei o esforco.
Beijos

FiFi - como disse, nao tenho medo ou estou preocupado. O futuro, esse, resolver-se-a de uma forma ou de outra.
Beijos

Geocrusoe - dou muito valor ao meu tmpo e a forma como o ocupo. Se me propuserem uma funcao que nao goste, posso faze-la, mas ate encontrar algo que realmente goste. Claro que o que faco nos meus tempos livres sera um equilibrio essencial a esta fase de grande desilusao com o trabalho.
Abraco

FiFi - gente que precisa de ajuda ha em todo lado, mas ha formas de ajudar que nao se podem fazer em todos os lados. Nao sao so os meus meninos. E outro projecto do qual nao quero falar. E esse so o posso fazer aqui. Nao tenho o direito de o deixar para tras. Se o fizer, sera uma luta gigantesca contra mim e os meus principios.
Beijos

caditonuno disse...

"as etapas mais difíceis da vida sao aquelas de que melhor nos recordamos passados uns anos."

caditonuno, junho de 2008

Melões Melodia disse...

Caditununo - mas tambem sao as mais felizes.
Abraco

AEnima disse...

Lá no fundo no fundo estás é com vontade de mandar esses mal agradecidos pastar e dedicar-te ao que tu gostas né? Olha lindo, o que quer que seja que venha... you can´t go wrong.

Melões Melodia disse...

Aenima - e verdade, mas ninguem pode saber ;-)
Nestas coisas de fusoes agressivas as coisas tornam-se muito politicas e feias e nao ha pachorra!
Beijos