domingo, 20 de julho de 2008

Sempre o amor


Ao ler os comentários a este post da Excomungada dei comigo a discordar com um ou outro comentário.

O post aborda um tema, o casamento homossexual, com outro subentendido, a discriminação homossexual.

Já falei deste tema anteriormente (da discriminação) e todos sabem a minha posição.

Há, no entanto, dois temas mais polémicos que ainda não debati (ou expus) pelo menos abertamente. O tema do post - o casamento de pessoas do mesmo sexo, e um tema abordado na caixa de comentários - a adopção por casais homossexuais.

Em relação à discriminação não tenho nada a dizer. É um tema amplamente discutido e sem sentido. Discriminar, positiva ou negativamente, não entra no meu vocabulário e considero o acto de discriminar uma reminiscência da fase primária da evolução do Homem enquanto ser social, quando este condenava e destruía à partida o que não conhecia e por isso temia. Discriminar é retrógrado e só prova que a sociedade moderna vive, em parte, na Idade Média não utilizando o que a distingue dos animais, a razão.

O casamento. Em relação a este não tenho muito a dizer. Se duas pessoas se amam, se o querem pôr em papel e mostrá-lo assim ao mundo, se querem partilhar não só amor mas casa, se querem que o outro tenha os direitos consagrados na lei aos casados em relação a heranças ou simples visitas a hospitais, têm o direito de o fazer independentemente do sexo, da raça ou da religião. Casar é um acordo entre duas partes em que as duas dizem “Sim”. Acho, no mínimo, reprovável comentários que dizem que sim, são a favor, “Mas quanto ao resto,podem até casar com animais,são opções..”. Não, porque não é um acordo entre duas partes mas uma decisão unilateral que além de ser uma piada de muito mau gosto, mostra uma intolerância reprovável e, acima de tudo, discriminação.

Chegamos ao terceiro ponto. Sem dúvida o mais complexo já que os dois primeiros serão fáceis de entender usando a razão, não havendo discussão fundamentada que consiga provar o contrário.

A adopção por casais do mesmo sexo. Neste ponto há argumentos fortes contra a adopção.
Não concordo com os argumentos que defendem que estas crianças serão também homossexuais porque os seus pais são homossexuais. Na realidade, a maioria dos homossexuais são filhos de casais heterossexuais.

Não concordo com o argumento de que é um mau exemplo porque não é um mau exemplo. É uma orientação diferente da vigente que prova a diversidade que existe na natureza. Deixa assim de ser um mau exemplo e passa a ser um excelente exemplo dessa riquíssima diversidade que levará a uma maior aceitação e porconseguinte menor discriminação a pessoas do mesmo sexo que se amam e que querem amar.

O único argumento com alguma força será o argumento que defende que esta criança terá problemas quando confrontada com outras crianças que têm um pai e uma mãe e não dois pais ou duas mães. Acredito que esta criança será, no entanto, educada em casa de uma forma a entender a diversidade, relegando o problema às outras crianças. E é aqui que entramos num ciclo vicioso. As outras crianças atacam porque não conhecem e duas pessoas do mesmo sexo não podem adoptar porque o filho estará sujeito ao ataque das outras crianças. E esta “pescadinha de rabo na boca”, por incrível que pareça, tem de ser quebrada exactamente onde se pensa que não está o problema. Nas famílias monoparentais ou heterossexuais para que eduquem os filhos no conhecimento da diversidade. Porque se um rapaz educado só por um homem for educado a acreditar que a mulher é uma aberração, tratá-la­-á como tal e passará a atacá-la. Se for educado, como o é, a aceitar a mulher como outra forma de ser, aceitá-la-á sem problemas e sem questões. O mesmo se passará com famílias monoparentais, heterossexuais ou homossexuais.

Quanto às crianças, a estas desejo o melhor. Ter uma educação onde abunde o bem estar, a tolerância e o respeito, mas, acima de tudo, e qualquer que seja a forma, onde abunde o amor.

15 comentários:

Diabba disse...

Não conheço ninguém (e eu conheço muitas almas) que seja contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Por isso não percebo como é que, politicamente, a coisa não se resolve.

Já quanto à adopção, conheço bastantes pessoas que entendem que tal deve ser vedado a casais homosexuais. São posturas que eu até entendo, apesar de, por mim, não ver nenhum tipo de entrave, nem sequer legal.

De qualquer forma há maneiras de tornear esse assunto.

beijo d'enxofre

geocrusoe disse...

Depois de um post para rir, de um interregno que me deixava preocupado... um tema para debate. Sou contra qualquer discriminação legal no que se refere a actos adultos e responsáveis, por isso união entre dois seres adultos e conscientes é mesmo um acto pessoal e desde que lei não se imponha a credos religiosos, nada a opor civilmente. aliás sou de um país onde existem casamentos com pessoas do mesmo sexo e conheci casais nessas circunstâncias e não tive qualquer problema de relacionamento com as pessoas em causa.
Mas conheço gente contra, cá e lá.
No que se refere à adopção de crianças, aqui entra o problema de um ser imaturo que terá de enfrentar um preconceito social enraizado em muitos no momento do seu crescimento, por isso concordo que se deve ir com calma e só depois de quebrar o ciclo da "pescadinha com o rabo na boca" se deve ir em frente.

caditonuno disse...

concordo contigo. nao será muito o ambiente em que viverao, mas a sociedade à volta delas que as descriminarão imenso ao saberem da sua situaçao parental. algumas conseguirao lutar e serem fortes, mas penso que a maioria com a pressao irá ceder aos poucos até nao haver retorno.

P.S: fiz um comentário sério!

Lua disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lua disse...

Concordo completamente contigo e discordo de que se deve ir com calma no que respeita à adopção. Com calma têm de ir aqueles que são pais e discordam com a adopção e que o deixam bem claro aos filhos. Estes, que por sua vez, serão os 'bullies' no recreio. Porque é que aqueles que têm amor para dar têm de ser condenados a não ter filhos devido a uns parvos sem consciência nenhuma? Completamente injusto.

Eu digo que deve ser aceite e de cada vez que haja um problema na escola, que os pais dos respectivos meninos sejam chamados à atenção para que, de facto, eduquem melhor os filhos.

Estás bem?! Fiquei um pouco preocupada :(

Músico Guerreiro aka Melões disse...

Diabba - nao conheces ninguem? Vives alheada do mundo ou escolhes os amigos a dedo!
Quanto a adopcao, tambem entendo a postura. So nao concordo.
Beijos

Geocrusoe - nao percebi muito bem quando dizes "desde que lei não se imponha a credos religiosos". Eu penso que sao os credos religiosos que nao se podem impor a lei. De qualquer forma, o cristianismo que me foi ensinado e o da tolerancia e nao julgamento, principalmente quando um acto ou uma condicao nao prejudica os que nao concordam. Mas isso e outra discussao.
Quando a adopcao, acima de tudo estao as criancas, e estas estarao muito melhores com pessoas que as amam do que com pessoas que as maltratam ou ignoram, ou principalmente, e melhor ter dois pais ou duas maes do que nao ter pais de todo. E uma crianca nao e crianca muito tempo. Tempo e uma coisa que nao ha. Que haja, pelo menos bom senso.
Abraco

Caditonuno - pois postaste serio, nem parece teu! Acredito que um casal homossexual nao adoptara de animo leve. Tera a forca necessaria para educar bem a crianca e incutir-lhe a forca que os levou a nadar contra a corrente.
Abraco

Lua - Concordo, o trabalho a ser feito, e com os que julgam,condenam e atacam.
Quanto a mim, nao te preocupes. Estou bem :)
Beijos

geocrusoe disse...

sei que pode parecer contraditório quando digo "desde que não se imponha à religião", aliás estas são instituições fonte de muitos preconceitos sociais que extravasam os seus crentes e não são exemplos de tolerância.
Mesmo assim, tal como as leis e actos civis devem permitir que a sua aplicação não seja específica de um credo, também a liberdade religiosa pode ter dogmas e desde que não afectem o princípio da liberdade do adulto, as leis civis não devem impor-se a actos religiosos ou àquilo que vai contra os princípios da religião e seus seguidores, mesmo que se possa não concordar com eles, mas quem não concorda pode sair dessa confissão religiosa e viver civilmente de acordo com os seus valores.
Confuso ainda? acredito, mas religião não é mesmo uma coisa racional e por isso dou-lhes algum espaço para a irracionalidade, não podem é exigir que o estado laico tenha de concordar com elas.

pinguim disse...

A adopção de um filho, pelo menos no nosso país, parece-me, no sentido mais abrangente (pessoas heterossexuais), já de si, complexo e demorado. Quando se põe a situação de um casal homossexual, as dificuldades aumentam exponencialmente. A única, dificuldade, a meu ver, reside no que apontaste, ou seja na eventual diversidade para a criança, quando se começa a integrar na sociedade (escola), em relação aos outros.
E também a solução apontada é a única que resolve o problema; mas já pensaste quão dificil é mudar as mentalidades das pessoas, para que os seus filhos aceitem como normal terem um colega com dois pais ou mães?
Abraço.

Diabba disse...

olha, não sei se sabes, mas sp que aqui venho, há assim uma música de fundo com uma senhora a gritar esganiçadamente...

(hihihihihihi)

(raspando-me mais do que depressa)

Paulo disse...

Concordo em tudo contigo, Miguel: a descriminação positiva ou negativa não devia existir. E há pontos que não são argumentáveis sequer (essa de casar com animais...). O essencial aqui nesta entrada diz respeito à adopção. Parece-me que há muitas caraminholas nas cabeças das pessoas. Sou homossexual, não acredito que o meu pai o fosse, a minha mãe idem. Não acredito que seja ou exponha um mau exemplo seja a quem for, pelo contrário, quando muito serei com um o Zé um excelente exemplo: há 7 anos que nos conhecemos e há 5 que partilhamos o mesmo tecto, vivemos as a vida a dois, e acima de tudo respeitamo-nos muito. Sem dúvida que uma criança criada por dois pais ou duas mães pode ser alvo de discriminação. Mas também o são os mulatos, os negros, os vesgos, os grodinhos... o processo terá de passar obrigatoriamente pela escola, pelo anti-bullying, pelo desenvolvimento do respeito e da tolerância, princípios que muitas vezes não trazem de casa por lá, nessas famílias ditas normais, não se vislumbrarem sinais deles. Isto tudo revolta-me muito, não sei como dar-lhe a volta, mas se houvesse vontade política, tudo o resto seria facilitado (pelo menos parcialmente). Como destacas, o importante é o amor... eu que lido com crianças e adolescentes de famílias monoparentais e heterossexuais, vejo diariamente tanta falta de amor que até dói!

Abraço

Dora disse...

Sou a favor tanto do casamento, como da adopção e, mesmo em Portugal, é uma questão de anos até tudo se tornar legal. Apaixonamo-nos pelas PESSOAS e não pelos seus "sexos".

amigona avó e a neta princesa disse...

Que saudades eu tenho de te ler, de me envolver com as tuas palavras! logo que possa voltarei...deixo um abraço ENORME de saudades...

Antunes Ferreira disse...

LISBOA - PORTUGAL

Olá!

Cheguei a este blogue através de outros que costumo visitar e neles postar comentários. Cheguei, vi e… gostei. Está bem feito, está comunicativo, está agradável, está bonito – e está bem escrito. Esta é uma deformação profissional de um jornalista e dizem que escritor a caminho dos 67…, mas que continua bem-disposto, alegre, piadista, gozão, e – vivo.

Só uma anotaçãozinha: Durante 16 anos trabalhei no Diário de Notícias, o mais importante de Portugal, onde cheguei a Chefe da Redacção – sem motivo justificativo… pelo menos que eu desse com isso… E acabo de publicar – vejam lá para o que me deu a «provecta» idade… - o me(a)u primeiro livro de ficção «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola (1966/68) em que bem contra vontade, infelizmente participei como oficial miliciano.

Muito prazer me darás se quiseres visitar o meu blogue e nele deixar comentários. E enviar-me colaboração. Basta um imeile / imilio (criações minhas e preciosas…) e já está. E se o quiseres divulgar a Amiga(o)s, ainda melhor. Tanto o blogue, como o imeile, tá? Muito obrigado

www.travessadoferreira.blogspot.com
ferreihenrique@gmail.com

Estou a implementar e desenvolver o projecto que tenho para o meu www.travessadoferreira.blogspot.com e que é conferir ao meu/vosso/NOSSO blogue a característica de PONTO DE ENCONTRO entre os Países fraternalmente ligados – Portugal e Brasil. No que estou, pela minha parte, a desenvolver todas as diligências que, naturalmente, me forem possíveis.
E, naturalmente também, para poder enviar-te «coisas» que ache interessantes. Se, porém, não as quiseres, diz-me que eu paro logo. Sou muito bem-mandado (a minha mulher que o diga…) e muito obediente (cf. parênteses anterior).
Já solicitei a colaboração da Embaixada de Portugal em Brasília, que tem à frente dela um diplomata fora de série, o meu querido Amigo, Dr. Francisco Seixas da Costa e na qual se integram mis dois bons Amigos de longos nos: o Adriano Jordão e o Carlos Fino. Seixas da Costa criou um blogue magnífico Embaixada de Portugal no Brasil, www.embaixada-portugal-brasil.blogspot.com, que vos recomendo vivamente visitar. Tem tudo sobre as relações entre as duas Nações. E já fiz o mesmo aqui em Lisboa. Espero receber resposta da Embaixada brasileira.
Este é um desejo que já ultrapassa a simples intenção. Felizmente, neste momento possui muitos comparticipantes – como desejo que seja o teu caso. Mas, com o empenhamento, a ajuda, o entusiasmo e a alegria que tenho encontrado – iremos longe. A internet (apesar dos aspectos negativos que ainda apresenta) tem uma força incomensurável e desenvolvimento tecnológico que se actualiza dia a dia.
Abrações e queijinhos, convenientemente repartidos e distribuídos

PS 1 – Quando navegarmos em velocidade de cruzeiro, quero alargar o Travessa aos outros PALOP. Que achas?
PS 2 – Desculpa por este comentário ser tão comprido e chato. Como a espada do D. Afonso Henriques…

+++++++++++++++
O tema tem toda a razão de ser. A minha opinião é que deve ser discutido aberta e honestamente. Não sou homosexual, mas entendo que quem o é tem todo o direito de o ser e de viver de acordo com a sua consciência. E se a lei lhe facultar o casamento - tudo bem.

Já na adopção, penso que é preciso ter muito cuidado. Uma criança com dois pais ou duas mães, poderá sentir a falta do outro progenitor, porque depressa aprende que o «««««normal»»»»»» é ter um pai e uma mãe como os outros meninos ou meninas.

Creio que é preciso dar tempo ao tempo.

E, entretato, repito e acentuo: compra o me(a)u livro «Morte na Picada». Penso que não te arrependerás...

Mocho Falante disse...

Bravo!

Adorei este post, um tema polémico que deixa muita gente de costas voltadas.

Só tenho um comentário a fazer ao Antunes Ferreira: Quando diz "Já na adopção, penso que é preciso ter muito cuidado. Uma criança com dois pais ou duas mães, poderá sentir a falta do outro progenitor, porque depressa aprende que o «««««normal»»»»»» é ter um pai e uma mãe como os outros meninos ou meninas." não é bem verdade porque as crianças têm a capacidade extraordinária de ir buscar o modelo materno/paterno, ao tio/tia, amigo/amiga etc....

Não está de todo provado (antes pleo contrário) que haja contra indicações nos processos adoptivos por casais do mesmo sexo, senão teriamos o mesmo problema para as familias monoparentais.

Abraços

Ácido Cloridrix HCL disse...

Olá, tudo bem??? Desculpe a usurpação do espaço, mas gostaria de te convidar a participar no nosso pequeno inquérito,,,, talvez te interesse,,, Estarás de acordo com o casamento ou adopção entre homossexuais??? Agradecemos a tua opinião, se a quiseres dar em: http://sexohumorprazer.blogspot.com/2008/07/inqurito-de-opinio-casamento-entre.html . Agradecimentos antecipados, HCL