quinta-feira, 25 de setembro de 2008

De regresso...


Quando saí daqui tinha grandes expectativas. Quando disse que ia passar duas semanas no meio do Atlântico, algumas vozes levantaram-se e disseram que era demasiado tempo.

Acabado o tempo afirmo convictamente que duas semanas não são suficientes. Passados dois dias, tinha-me esquecido do trabalho, dos dias longos e cinzentos da grande metrópole. Estava mergulhado num mundo verde e azul.

Não consigo dizer do que mais gostei, não consigo apontar o que não gostei porque gostei e muito.

Achei piada aos guias que comprei nos postos de turismo. O de São Miguel mandou-nos descer ao salto do cavalo e quase não conseguimos tirar de lá o carro. O do Faial, fez-nos parar em frente a duas igrejas (Ribeirinha e Flamengos) das quais só restam ruínas de um sismo que ocorreu há dez anos e meteu-nos num caminho de terra até ao farol da Ribeirinha também destruído mas nem por isso menos bonito.

(farol da ponta da Ribeirinha)


Em São Miguel são as lagoas, o verde, o Nordeste, as nascentes de águas férreas ou sulforosas, quentes ou frias, as furnas, descer à lagoa do Congro foi uma aventura. São as igrejas cobertas de mil luzes, as procissões.

(Lagoa do Fogo)


Na Terceira, descer ao Algar do Carvão, bater à porta de uma escola em Angra para visitar um tesouro da arquitectura religiosa, a igreja de São Gonçalo, subir ao Monte Brasil para admirar a belíssima cidade, os coloridos impérios.

(Angra do Heroísmo vista do Monte Brasil)


O Pico, sempre diferente, diferentes cores dependendo da hora do dia, cobrindo-se e destapando-se, e sempre magnífico. São as vinhas e os campos de lava.

(Piquinho)


A costa norte de São Jorge é única. Esta ilha, realmente, surpreendeu-me pelas abruptas encostas verdes e as belíssimas fajãs. O ilhéu do topo, a Silveira ou o topo dos Rosais.

(Fajã dos Cubres)


No Faial, subir à impressionante caldeira, ir aos capelinhos onde o farol ao qual se juntam o já mencionado farol da ribeirinha ou a igreja, ou as muitas casas em ruínas, prova que a natureza tem tanto de belo como efémero. Ir ao Monte da Guia ao fim da tarde para espraiar os olhos sobre Porto Pim ou subir até à Espalamaca para admirar a Horta. Ao fim do dia, passear pelo colorido do porto e da marina, destino de iates de todo o mundo e registo a céu aberto dos que por lá passaram, entrar no Peter e recolher um postal,...

(o farol dos capelinhos)


Na Terra o verde, as flores endémicas ou não, os relevos, as pedras negras, e as vacas, vacas negras, castanhas, malhadas, vacas e mais vacas...

(Hortênsias – introduzidas nos Açores há mais de três séculos, endémicas da China e do Japão)


E no mar, no mar, aproveitar o azul, as suaves temperaturas, atravessar o canal uma duas e três vezes, ver como os roazes, os golfinhos comuns e os de pinta se divertem com os barcos, ver um peixe voador sair da água e mergulhar bastantes metros à frente, e ver um cachalote, olhar para ele, vê-lo ali, até que se decide a mergulhar e vê-se aquele rabo enorme sair da água, curvar-se para num golpe de elegância desaparecer em direcção ao fundo do mar onde ficará mais de meia hora.


(Azul e verde – Horta e Monte da Guia do miradouro da Espalamaca)

Preciso de dizer se esta pausa foi de encontro às minhas expectativas?

14 comentários:

geocrusoe disse...

Confesso que tive medo que a meteorologia deitasse tudo a perder, todos os dias espreitava o tempo e pensava: choveu de manhã ou fez uma tarde óptima espero que ele tenha conseguido aproveitar bem este dia.
Claro que passastes por minha casa, as ruínas fazem parte da minha envolvente, o farol e a igreja são dois marcos da minha infância que todos os dias me magoam, mas quere-os preservados como estão ou recuperados.
Ainda bem que gostastes era o que eu te desejava na altura, com receio de não alcançar esse objectivo.

AnAndrade disse...

É pecado mas... vale ter só um bocadinho de inveja? Vale??
;)
Beijinho e bom regresso!

pinguim disse...

Há muito que penso ir aos Açores. mas para visitar, não digo todas as ilhas, mas a maior parte, Este teu texto ainda aguçou mais o meu apetite.
Abraço.

Diabba disse...

Ahhh já de volta?? Estava a vêr que não! grunfff (roída de inveja mode)

E não choveu?? Nem granizou? rais-parta, tenho que rever o livro das pragas, será que aquilo é um livro dos Cinco?

beijo d'enxofre

Músico Guerreiro aka Melões disse...

Geocrusoe - a meteorologia nao nos incomodou nada. So houve um dia que tinhamos planeado ir ao Pico, mas estava uma manha de trovoada e chuvas torrencias que acabamos por nao ir. Acabou por ficar sol e aproveitamos para visitar a cidade da Horta. Por outro lado nao deverias temer que nao gostasse. Acho que mesmo o mau tempo nao deve conseguir apagar a beleza dessas ilhas onde moras.
Abraco.

Anandrade - nao e pecado nenhum. E um cantinho do nosso ais que recomendo vivamente. Deixo-te o apetite agucado.
Beijos

Pinguim - Vale a pena. Tive pena de nao ter visitado todas as ilhas. Planeava visitar mais, mas o tempo nao e elastico, ficaram quatro por ver. Ficara para uma proxima vez.
Abraco

Diabba, diabbinha - tens de rever os teus manuais, mas a preguica e pecado e por isso deves le-los na diagonal. Acabei por vir com um bronzeado.
Beijos

Ck in UK disse...

ainda bem q gostaste. andamos desencontrados pa!

ana v. disse...

Tudo isso e muito mais, porque fica sempre alguma coisa por dizer... não é?
Sabia que ias gostar, o contrário é impossível. Eu fiquei rendida para sempre, e hei-de voltar.
Beijo

Carlota disse...

Nem por isso. Bastava teres publicado as fotografias e a gente via logo que tinhas ficado sem palavras.
Bem-vindo de volta!

calamity jane disse...

Caramba, fiquei toda arrepiada!!!
E olha lá, aquele teste, não sei porquê, parece-me a mim que te assentou q nem uma luva... ;-)
bjs

Pitucha disse...

Os Açores estão na minha lista...mas há tanto mundo!
Beijos

Wask disse...

fabulosas, as fotos...
dah vontade de ir...

Anónimo disse...

Vou ficar a ouvir este orgão belissimo e voar em pensamentos para essa ilha linda.Beijo da FIFI

Sónia Pessoa disse...

OLá, vim aqui dar por acaso e deixa-me dizer-te que estou absolutamente encantada com o teu espaço... e por vários motivos! A destacar: eplo que percebi ÉS DO PORTO!!Se acertei, deixa-me dizer-te que és boa pessoa de certeza, pois essa é também a minha cidade, muito embora esteja a viver em Braga desde há sete anos (contrariada convém dizer!!). Logo a seguir, pelo que percebi tb, vive em Londres, certo? Bom gosto, muito bom gosto... fui aí de férias em Setembro passado, apenas cinco dias mas fiquei apaixonada (convido-te a ires ao meu cantinho, procura os post sobre Londres e vais rir-te um bom bocado!!... mas não vale gozar, só rir!!) E por último, passeei pelo teu "outro lado" e adorei. Convido-te tb a visitar-me e conhecer o meu projecto literário, cujo primeiro livro será editado no início de Novembro.
Resumindo, se não levares a mal, vou voltar e espero que me visites tb.
Abraço,
Sónia Pessoa

Paulo disse...

que boa essa sensação de libertação da metrópole, do trabalho, da rotina. até sorrio por ainda conseguir ficar feliz com a felicidade dos outros. depois as impressões das ilhas: gostei bastante. mas afinal, a pausa foi ao encontro ou de encontro às tuas expectativas?
abraços e bom regresso à normalidade!