domingo, 11 de janeiro de 2009

2009

Viva!

Antes de mais (se bem que com alguns dias de atraso) quero desejar-vos um ano bom.

Não responder-vos a mensagens, comentários e emails não é falta de respeito ou consideração. Tenho uma estima muito grande pelas pessoas que perdem tempo a ler-me e que só me conhecem através das palavras. As palavras sem cara são como os sentimentos. Não há materialidade ou materialismo. Valem o que valem dependendo de quem as lê ou escreve sem se regerem por uma lei de mercado que perverte o significado das coisas.

Conhecer as pessoas, conhecê-las bem, é ir bem além do invólucro em que cada uma está metida, o corpo. A matéria distrai e corrompe e, ainda assim, dita as regras do mundo moderno.

Mesmo neste mundo virtual, tratamos de dar uma imagem num mundo em que a imagem ainda vale mais do que as palavras. Perdemos horas com as cores, os “links”, o tipo de fonte e o tamanho. Escolhemos fotografias cuidadosamente para ilustrar o texto e assim tiramos-lhe a liberdade de correr para onde quer e para onde a imaginação e interpretação de cada um de vós o quer levar.

O ano não começa bem, dizem por aí. Augura-se um ano de crise, sem dinheiro, sem emprego, sem matéria.

As nossas dores de cabeça, preocupações, centram-se à volta do que podemos perder. A matéria.
Assim, com o foco descentralizado, deixamos passar oportunidades e de lutar pelo que vale a pena. A famosa crise que se estende das finanças ao consumo, consome-nos a todos e as discussões aumentam por questões materiais. Instala-se a instabilidade social e crescem as demonstrações violentas e em último caso as guerras (que não são de valores mas de matéria).

O mundo está de ressaca, a heroína é a matéria e a ressaca desta vez afecta todos, ricos e pobres, homens e mulheres, novos e velhos.

Não tenho medo desta crise ou deste ano. Acredito que será um ano bastante positivo porque as prioridades vão mudar. O mundo, como o conhecemos, tem de mudar.

Enquanto muitas tensões vão aumentar devido à diminuição de riqueza e enquanto muita gente não conseguir dar o salto da matéria à “imatéria”, outros haverá que estarão lá.

Obriga-se o renascer do sentido comunitário, da vida em comunidade, porque um indivíduo só está bem e feliz se a comunidade onde se insere está bem e feliz.

É preciso ouvir as palavras, estender as mãos para dar e receber e, em conjunto, encontrar um equilíbrio de matéria e sentimento.

Acredito que depois desta virulenta crise da qual somos todos responsáveis e da qual ainda não vemos o fim, viveremos num mundo melhor. Descobrimos que não precisamos de tanto para viver mas que precisamos muito das pessoas, não das que vemos mas das que estão para além dos corpos que vemos.

Por isso, a vós de quem só conheço as palavras, desejo um ano bom, que mais do que um ano novo é o fim de uma década. Uma década de guerra suja que apesar de nunca ter tido nome é uma guerra mundial visto nenhum continente se ter livrado de ataques e do mundo se ter dividido em dois, sem fronteiras e sem países.

Que saibamos também na nossa casa acabar com esta guerra... não importa a tampa da sanita, a posse do comando, importa saber porque estamos juntos e ouvir, ouvir as palavras e deixá-las fluir, porque se não acabamos com as guerras em casa com aqueles que amamos, como podemos esperar o fim da guerra entre aqueles que mal se conhecem?

E se um dia decidimos que nos devemos por cara, se não for num restaurante chique da capital ou num bar da moda, que seja numa praia ou numa mata porque se a matéria não estiver lá, estarão as palavras e as tais pessoas que vão muito mais além da imagem.

12 comentários:

Anónimo disse...

Já estava a ficar preocupada,com a falta de palavras,mas eis que o autor este blog descreve exactamente aquilo que me vai na alma para 2009, por vezes não consigo passar ao papel aquilo que sinto,mas tu parece que lês os pensamentos.O materialismo é a pior coisa que existe, desde 2003 que essa palavra para mim não tem sentido,nem estou preocupada com a crise,desde que não nos falte a saúde, tudo é fácil é preciso é positivismo.Um bom ano para ti e família,com muito amor saúde e alguns trocos. FIFI

pinguim disse...

Concordo com o essencial do que dizes, nesta espécie de prefácio para o ano de 2009.
No que respeita à imagem, eu sempre dei a cara, quer no significado real, quer no sentido figurativo, e tenho-me dado bem com isso; mas compreendo que nem todos o queiram ou possam fazer...
Bom ano para ti.
Abraço.

Paulo disse...

foco essencialmente a ideia de que o mundo tem de mudar. sem dúvida de quem sim. com tudo o resto, concordo. sobretudo, com a parte do diálogo, as palavras e os actos, até porque um dia elas (as palavras) extinguir-se-ão, a matéria dará lugar ao vazio e não seremos mais do que memórias de quem ainda se lembrar de nós.
bom ano também para ti.

geocrusoe disse...

Bem-vindo!
Sim, o mundo tem de mudar e espero que mude para melhor, embora tema que, inconscientemente ou não, vai mais dar um trambulhão, pois nunca vi o Homem se corrigir, mas neste caso o meu desejo é igual ao do teu na mudança. Mas sempre fui um sonhador com crises intercalares quando desperto, portanto sonhemos...

Deda disse...

Bom ano para ti também, Melões!

Wask disse...

Um bom Ano para ti tambem!! E como sao sabias as tuas palavras! Realmente acabamos por deixar de lado tanta coisa para nos preocupar exclusivamente com os bens materiais e com aquilo que podemos perder com esta crise instalada...

Um abraço!!

Mocho Falante disse...

Como dizem os budistas, o desejo é a causa de toda a infelicidade.

Adorei este texto de ano novo, parabéns!

Que o ano de 2009 seja cheio de esperança e de uma prioridade nova que bem falta faz a este planeta.

Um grande bem haja

CITRAG disse...

Acho que ainda não te tinha dito que adoro a forma como escreves. Adorei este post.
Um bom ano para ti também.

AnAndrade disse...

Um grande ano também para ti!
Beijinho.

amigona avó e a neta princesa disse...

Um bom ano para ti meu querido amigo...que 2009 nos deixe ser felizes...beijocas...

calamity jane disse...

Já sabes que embora (ainda) nunca te tenha posto a vista em cima gosto de ti à brava. São só palavras, claro, mas sei que não estou enganada...

beijos

Anónimo disse...

Como entendo as tuas palavras...Penso como tu. Por isso, uns chamam-me lírica, outros lunática!Por vezes, chego a pensar que o sou.
O mundo precisa de mudar, mas será para melhor?
Tudo quanto vejo é materialismo. Tudo se move em torno do dinheiro. Pior, a base da sociedade - a família - não está só em crise, está em falência!
Deixei de acreditar no ser humano, que é egoísta por natureza. Resta-me a esperança das excepções.