terça-feira, 19 de maio de 2009

EDP – o monstro

Às vezes, quando leio notícias por aí, não posso deixar de rir-me com o que se diz. Alguns jornais que até considero sérios, procuram um sensacionalismos barato que me assusta. Parece ser necessário manter as pessoas ao lado de um ataque de nervos e como o Português aceita o que lhe é dito a “face-value”, acredita nestas histórias, que em períodos difíceis como os que atravessamos, só vêm deitar areia para os olhos e aumentar o descontentamento social.

Refiro-me a esta notícia na qual não vejo o mínimo interesse. Não vejo interesse porque se refere a dados de 2007 e entretanto muita coisa mudou.

O que é curioso é que hoje mesmo recebi um relatório semanal de uma conceituada agência para a energia, a Platts (sim, não acuso sem fonte fidedigna e sem estar devidamente documentado) que apresenta os preços da electricidade e do gás na Europa dos quinze em Maio de 2009 (i.e., o mês em que estamos).

Pois dito relatório informa-me que os preços HEPI (preço integral) são mais baratos em Portugal do que em Espanha. Enquanto o consumidor paga em Espanha uma média de € cent 15.86 por kWh, o consumidor português paga € cent 15.65. Ja no gás Espanha paga € cent 5.77 contra € cent 5.42 que paga o português. Se decidirmos retirar os impostos, a diferença ainda se agravaria mais já que Espanha tem uma política fiscal em termos de energia mais favorável ao consumidor do que Portugal.

Agora digam-me uma coisa, a quem interessa uma notícia destas? A ninguém digo eu. É velha, falsa e desmoraliza. Ataca uma empresa que tem tido um trabalho de excelência.

Falando nisto, lembro-me de outras notícias que leio por aí e com as quais discordo profundamente. Quando a EdP apresenta resultados, as notícias focam-se no resultado líquido. Uma vez mais, para o mais distraído dos leitores, resultado líquido não quer dizer absolutamente nada. É um indicador da actividade da empresa e pouco mais, e só nos diz que a empresa operacionalmente está de boa saúde o que é de esperar de uma empresa no sector das Utilities. O que estes comentários se esquecem de analisar é o que realmente interessa. Os fluxos de caixa gerados pela empresa, porque uma coisa é o que factura, outra é o que realmente entra nos cofres da empresa e como é aplicado.

A EdP apresenta um plano de investimentos assombroso e ainda assim delicioso. Ter-se focado no sector das energias renováveis, fez do país um dos lideres Europeus neste campo. Sem gerar caixa suficiente para investir neste sector, estaríamos a hipotecar o futuro do país. Portugal tem um parque geracional ainda insuficiente, ainda algo dependente em combustíveis fósseis mas com grande crescimento nas energias renováveis que já ocupam uma percentagem significativa da geração no nosso país. Não o ter feito, seria sujeitar-nos a consequências dramáticas no futuro. Sofreríamos mais com uma eventual subida do preço do petróleo, teríamos multas mais pesadas por não cumprir a quota de emissões, pagaríamos mais por mais emissões de carbono, e acima de tudo, continuaríamos a destruir o país e o ambiente de uma forma acelerada.

A EdP pode não ser perfeita mas é de empresas como esta, de gestores como os desta empresa, que o país precisa. Não precisamos da política invejosa dos mediocres que só dão um lado das coisas pervertendo as notícias. Talvez assim a mediocridade deles não se note tanto.

PS – não trabalho, não sou sócio nem tenho nenhuns interesses na empresa em causa.



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