sábado, 11 de julho de 2009

Desabafo

Continua o silêncio. Longo, longo, longo, arrastando-se como um fogo que consome tudo por onde passa e só deixa terra estéril. O vento das emoções varre as cinzas e deixa a descoberto as cicatrizes expostas novamente aos elementos.

Não há palavras, os pensamentos não conseguem divagar e fixam-se no que quero ultrapassar.

Quero tanto, mas tanto, ter um pouco de paz interior... tenho ocupado o meu tempo para não pensar, trabalho e mais trabalho, ginásio para tentar viver a mente sã em corpo são, corpo constantemente atacado e atacado e atacado... vem uma e outra vai e outra vem, testando-me sempre e muito e sempre e muito e quando alguém me confronta, calo-me, engulo, pretendo estar feliz.

A semana passada na cidade que me viu nascer alguém me disse, como se conhecesse os meus fantasmas, que deveria pensar mais em mim e menos nos outros, que vivo tanto para os outros, preocupado com quem amo, que me esqueço de viver a minha vida. Falso, falso, falso, a minha vida sem os outros não tem sentido.

No entanto olho para mim, para o que faço, para o que sou, sinto que perdi. Deveria ter uma vida acertada, um norte, a adolescência já lá vai e com ela as oportunidades. Sei porque as perdi, sei de onde vem o fogo que me consome e conheço a origem do vento que varre as cinzas e deixa exposta a rocha impenetrável que mostra as cicatrizes.

Cansado de lutar, sem lágrimas para chorar, de coração esmagado pela dureza da rocha em que me envolvi, estou cansado, calado, cansado. Egoisticamente desejo acabar a guerra e deixar-me adormecer no meu cansaço ou deixar-me arder neste fogo e esperar que o vento me leve.