sábado, 18 de julho de 2009

O alien que vivia em mim


Há uns quantos meses atrás senti algo estranho. Um corpo mole, estranho, ao fundo das costas mesmo em cima da coluna. Se me incomodava? Sim. No início só me incomodava a mente. Fazemos filmes e por mais que queiramos ser optimistas, não conseguimos. Depois fisicamente. Sentia-o crescer, podia agarrá-lo e ele fazia sentir-se com os movimentos mais banais. Finalmente via-o espreitar e sentia uma dor grave, leve, suportável mas grave e constante.

Deixei-o andar, consumir-me os pensamentos e as emoções, tinha consulta de rotina terça-feira passada e mostrá-lo-ia ao médico. Assim o fiz, assim se fez a sentença de morte ao alien, TAC no mesmo dia e remover o alien na sexta-feira.

O médico, o meu respeitável e admirável médico, disse-me para não me preocupar enquanto, simpaticamente, me lembrou que deveria ter ido mais cedo, que está sempre disponível para mim (e não, não cobra nem um tostão). A face, no entanto, porque aprendi a ler na expressão dos olhos e na rapidez das acções, mostrava preocupação.

Ontem pela manhã lá fui eu executar a sentença a este alien. Meia hora e estava cá fora. Parece não ser daninho nem ter más intenções, disseram. Certezas, só terça-feira, mas quase certezas de que não o seja.

Eu vi-o. Seboso, escuro, uma massa mole e disforme.

Já mais leve, regressei a casa e passei a tarde a descansar em frente ao computador, a fazer coisas sem importância. Quizzes do facebook, joguinhos,... distracção pura e descanso intelectual e emotivo.

Uma vez mais escondi o alien que me atormentava. Calei. Só que neste calar, para não mentir ou mostrar a verdade nos meus olhos transparentes, afastei-me. Não respondi a mails dos amigos preocupados, não devolvi chamadas a outros. Esqueci-me no entanto que este meu escape não é tão anónimo como quando o criei. Fiz amigos, alguns bem sólidos, que me conhecem ao ponto de se mostrarem, dizerem que estão ali, sem insistir. A chamada surpresa que caiu no voicemail só para dar um beijo, o comentário breve sobre a núvem negra que passa, nada caiu em saco roto. Não respondo porque não gosto de falar de mim. Não gosto de sentir que há um mundo que se preocupa comigo fruto de um passado em que queria evitar o sentimento que mais detesto, que tivessem pena de mim.
Eu sei que os amigos são para os bons e para os maus momentos, mas os melhores amigos, mais do que os que nos dão a mão quando precisamos, são os que ficam felizes com o nosso sucesso e estão connosco quando estamos felizes e estes são bem mais difíceis de encontrar.
Em relação ao topo da minha pirâmide de afectos, para quê preocupá-los se estão longe e mesmo se estivessem perto nada poderiam fazer? Só criaria angústia porque quem está longe sofre mais porque não vê nem sente do que quem tem o problema nas mãos.
Mas o alien que havia em mim, já não há, o que apesar de me ter tirado um pequeno peso das costas, me tirou um grande da cabeça.

11 comentários:

pinguim disse...

Eu já passei por uma pequena coisa quase semelhante e não deu nada depois de extraído e devidamente analisado.
A maior parte do "pesadelo" está cá fora...
E os amigos, claro que são para as ocasiões!
Abraço e a continuação de boas notícias.
Abraço.

geocrusoe disse...

Embora ainda haja alguma réstia de dúvida, tudo parece bem encaminhado e se os aliens surgem sem serem convidados, os amigos sabem que o convite está sempre em cima da escrivaninha para aparecermos quando somos precisos. Continua a contar com os amigos que nós contamos contigo. Um abraço.

Claratje disse...

Ainda bem que correu tudo bem e esse alien já saiu da tua vida! E eu acho que os verdadeiros amigos não tem pena de nós, preocupam-se sim mas porque somos importantes para eles!
Compreendo que não tivesses querido preocupar as pessoas, mas as vezes é preciso pedir ajudar e aceitar essa ajuda. As vezes por muito que não queiramos precisamos de agarrar aquela mão amiga e segura-la com força para não nos perdermos.
Boa recuperação em frente aos testes viciantes do facebook ;)

CITRAG disse...

Realmente os piores aliens que enfrentamos são os que estão dentro nós...
Quem tem penas são as galinhas! A compaixão, amizade e afins são bem diferentes, quando são verdadeiros sentimentos.
Bjs

Lua disse...

Eu, pelo contrário, acho que 'pena' tem uma péssima reputação, esta muito pouca merecida.

Mas também não é isto que queria aqui dizer. Queria apenas dizer que ainda bem que estás mais leve e boa sorte com os resultados.

Os amigos não se incomodam. Assim como dás como gostarias de receber, farias bem em receber aquilo que dás, quando to dão de bom grado :)

AnAndrade disse...

Fico feliz pelas quase-certezas. :)

Anónimo disse...

Fiquei contente por escreveres rápidamente, sinal que esse pesadelo, já passou.Beijo, as melhoras.FIFI

Diabba disse...

Não penses que este post te safa das múltiplas nódoas-negras que tenciono ofertar-te!! grrrr

grunfff enxofre

Nota: Hoje, consegui vir aqui, estar, comentar, sem que esta porra crashasse toda!

Anónimo disse...

Passei por aqui mais uma vez e não pude ficar indiferente. Carregas um grande fardo dentro de ti e deverias ter a capacidade de partilhar esses teus medos. Caso contrário esses pequenos monstros que guardas e que no fundo podem não ser nada transformam-se em grandes monstros que se alimentam apenas dos teus pensamentos. É bom ter um ombro amigo, uma palavra amiga mesmo daqueles que estão longe. Beijo e boa recuperação a Estrelinha da Sorte

Anónimo disse...

Concordo com as palavras do comentário anterior, tens que partilhar e procurar um ombro amigo, também era assim, no dia que me libertei, acho que nasci de novo, fiz coisa incriveis nessa época, a liberdade de partilhar é qualquer coisa de maravilhoso e lava-nos a alma, mas tens que escolher as pessoas certas senão é mau.Tens que voar e libertar o espirito, dizem que o Reiki, é bom para esses males.Beijos deves experimentar para te conheceres melhor, vais gostar. Fifi

AEnima disse...

Da tua cabeca e da dos outros... que umas semanas calado e a gente comeca a desconfiar. Desculpa, somos chatas, mas nao e' por mal. :D Beijinhos