sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Preconceitos

Em Portugal os pais estão chocados porque, ao que parece, parece porque não é, um livro foi posto à venda com uma capa pornográfica.

No Reino Unido os pais estão chocados porque uma apresentadora da CBBC (para crianças) não tem um braço e porque alguns infantários e escolas primárias decidiram juntar aos seus livros de contos, contos em que há crianças com dois pais, ou duas mães, ou há dois homens que se juntam e vivem “happily ever after”.

Sentado à frente do meu computador estou eu, chocado. Chocado com os pais. Com aqueles que usam os filhos como armadura, defesa que esconde preconceitos contra uma parte do corpo humano, uma deficiência ou uma orientação sexual diferente. Porque as crianças, como diz a Carlota, não se tranformam em monstros por contactarem com a realidade. Porque a realidade é que uma criança, e quanto mais pequena melhor, aceita sem julgamentos a diversidade do mundo, a natureza, como aceita as formas e as cores.

E se a criança pergunta porque é que uma apresentadora não tem um braço e a resposta é honesta, não vai ter pesadelos com papões mutilados, e se pergunta porque é que um colega da escola tem dois pais ou duas mães e a resposta é honesta, não alterará a sua futura orientação sexual, e se pergunta o que é aquela coisa cheia de pêlos na capa do livro exposto no escaparate da livraria da esquina e a resposta é honesta, não se vai tornar num psicopata perverso e sexomaníaco.

Mas se a criança repara (porque as crianças reparam em tudo) nestas e noutras coisas naturais da nossa sociedade e pergunta e não tem resposta, ou se é isolada da riqueza da diversidade que existe ao seu redor, então achará que há algo errado numa pessoa com alguma deficiência, no corpo adulto de uma mulher, ou no colega que tem dois pais.

Repugnante não é o que se condena, é esconder o que se condena com a inocência e ligeireza com que as crianças vêem o mundo.

É pena não nos deixarmos ensinar pelos preconceitos de quem não os tem. E são muito mais felizes!
PS – este texto já foi escrito há três dias e por isso alguns dos acontecimentos estão desactualizados. Apesar de tudo a mensagem que quero passar, a minha opinião mantém-se e por isso decidi não alterá-lo

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eu gostava…


…de ter pelo menos uma semana relaxada.
Gostava de poder chegar ao trabalho sem ter de passar pelos anormais, apesar da confusão dentro do estaminé ser bem maior do que fora.
Enfim...
Dezoito meses com a guilhotina sobre a cabeça [...]


Última hora – acabou de ser comunicado que a minha área vai desaparecer completamente. O que quer dizer? Que a guilhotina cai ou que vou ser vendido outra vez?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os Anormais


Há uma classe que cresce em tempos de crise. É a classe dos anormais. Gente que pensa com os pés e se acha dona da razão.

Hoje tive de lidar com este grupo.

À hora do almoço, um destes grupos plantou-se à porta do estaminé a gritar: “People against the bankers!”. Não levavam cartazes mas sacos e baldes cheios de neve que depois de um dia de sol e temperaturas negativas, se tinha transformado em pedaços de gelo.

Ora, os anormais, é deles que quero falar porque pensam com os pés, e como pensar com os pés não é normal, decidi baptizá-los de anormais.

Pois este grupo plantado à frente do estaminé decidiu agredir toda a gente que saía ou entrava do edifício com pedras de gelo. Muita gente decidiu não sair do edifício mas não era uma centena de anormais que me ia fazer ficar fechado dentro do estaminé e não poder almoçar. Além dos cerca de cem anormais, havia uma vintena da polícia do bairro, a Met.

Saio e levo com uma destas pedras de gelo na cara, pescoço e orelha... não me magoou mas podia ter magoado. Tudo isto sob o olhar atento da polícia e sob as câmaras dos media.

Se os anormais têm o direito de se manistar, eu tenho o direito de entrar e sair do meu estaminé em segurança. E azar, vi o anormal que me atirou com o gelo. Fui ter com uma polícia da Met que ali se encontrava e apresentei queixa, pedindo que identificasse o anormal. Quando o anormal me vê a apontar o dedo, aproxima-se e diz: “- vocês andam a brincar com o nosso dinheiro!”

E o anormal, o que pensa com os pés ouviu: “ - Se estás tão preocupado com a crise, em vez de estares aqui a cometer um crime punível por lei, deverias estar a trabalhar e a gerar riqueza para o país. E quanto a brincar com o dinheiro, estás a desperdiçar o meu dinheiro que paguei em impostos ao criar a necessidade de ter a polícia aqui a defender o edifício do estaminé e os trabalhadores.”

O anormal deve pensar que somos nós que vivemos dos benefícios do Estado como ele, e que estamos com excelente ambiente de trabalho, todos ricos. Que não vimos amigos e colegas a perder o emprego e que temos o emprego assegurado. É o que digo, os anormais pensam com os pés.

A mulher polícia não quis tomar nota da queixa e quando um colega do estaminé mandou com um balde de gelo para cima dos anormais, a polícia mexeu-se finalmente, mas, incrivelmente, para agarrar o meu colega e metê-lo dentro do edifício.

Até deixaria as coisas por aqui, mas a passividade da mulher irritou-me e quando me viram do avesso, vêem o meu outro lado, não o daquele homem calmo e pacífico, que desculpa tudo e todos.

Apresentei queixa aos recursos humanos e pedi acesso às imagens da câmara de segurança. O estaminé disponibilizou-me um advogado e com as provas do crime fomos à polícia apresentar queixa. O sujeito foi identificado e a mulher polícia também. Pedi três mil libras ao anormal que, ou paga, ou fica com um criminal record e obrigado a fazer 3 meses de trabalho social.
Agora sim, posso dizer ao anormal: “ - e agora quem é que brinca com o dinheiro de quem?”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Hoje ficamo-nos com as imagens

(visto do quarto)



(... e da cozinha)




(pormenor do jardim)



(outro pormenor)



(o jardim em frente)

(Marble Arch)

(Hyde Park)