domingo, 27 de setembro de 2009

Direito a ser Português

Neste dia em que o país vai a votos, sento-me no café da esquina com o meu caderno preto. A esta hora matutina já deveria ter votado. Gosto de cumprir os meus deveres cedo para passar o dia livre de obrigações.

Desta vez não o posso fazer. Não pude ir ao meus país e pela primeira vez não mo deixam fazer desde esta ilha. Perdi um direito não sei bem como. Dizem que não o tenho porque não vivo nesse canto. Olho o meu passaporte que diz Nacionalidade Portuguesa.

Tenho interesses em Portugal. Família, amigos, investimentos e um magro fundo de pensões. Não sou sequer emigrante de pleno direito. Escolhi uma figura jurídica que me diz residente em Portugal, domiciliado no Reino Unido. Assim, neguei os meus direitos de cidadão da ilha para manter os do meu país mas não os posso exercer.

Muitos dirão que não interessa, nem vale a pena votar pois tudo seguirá igual. Talvez, talvez...

Tanto andámos para chegar a uma democracia. Mais de oitocentos anos de país, lutas e revoluções para, em trinta anos, pouco mais, ignorarmos as lutas que nos deram os direitos que temos como certos.

Este país que me tira o direito de votar é o mesmo que não me dá oportunidades que outros me dão.

Quando as coisas se complicaram no trabalho, quando a crise se instalou e a o sistema financeiro colapsou, comecei a procurar trabalho. O meu país disse-me que sou muito novo apesar da experiência e provas dadas. Bolas, tenho trinta e três anos, é certo, e mais de dez anos de experiência no que faço, mas a idade é um posto e as provas dadas não somaram rugas nem cabelos brancos e é melhor parecer do que fazer. Tenho no entanto três ofertas na mão de outros países que não constam no meu passaporte.

Esta semana recebi uma carta de Portugal. Tinha pedido informação e preenchido uns formulários para, eventualmente, começar um processo de adopção. A carta desencoraja-me. Não tenho o perfil certo. Sou solteiro e tenho um trabalho a tempo inteiro de responsabilidade. Menciona a dita carta que o processo será moroso e doloroso com grande probabilidade de fracasso. Na ilha não recebi uma carta. Ligaram-me. Agradeceram-me a coragem e marcaram uma entrevista em minha casa. Disseram-me ser difícil mas possível e que o meu trabalho estável e bem pago, bem como a minha experiência com crianças abonarão certamente a meu favor. Coragem foi a palavra de ordem.

No entanto, apesar das grandes frustações que me causa o meu país, sou Português e quero ser capaz de exercer os meus direitos em Portugal.

Enquanto não mo deixam, vou fazendo o meu caminho por onde posso com a certeza de que um dia regresso.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Até a breve

Este canto anda um bocado ao abandono, bem o sei. Não ando com grande vontade de escrever também é verdade. Assim seguirá mais duas semanas porque me esperam as terras douradas das múmias e dos faraós.