quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tic - Tac


O despertador continua a tocar pela manhã, memória de uma rotina interrompida.

Quando temos uma rotina, queixamo-nos; deixamos de tê-la e o tempo perde-nos, etéreo como o
futuro, indisciplina-nos, se não almoço agora, almoço depois, não há hora para dormir porque não há hora para levantar.

O tempo escorre lânguido e preguiçoso embrulhado em memórias e esperanças.

Nesta fase em que não faço nem posso fazer (tenho de estar um par de meses sem trabalhar para cumprir o acordo com a minha antiga casa) dou-me conta que a rotina me fez apagar. Sem o meu trabalho sobra-me tempo porque com ele fui desistindo daquilo que era: as aulas que dava, a música, as horas sentado ao piano ou com uma folha de papel... e que bom recuperar e recuperar-me nesta ânsia de cantar, escrever, ensinar!

Abri a porta de saída, a que não se abre porque se tem medo, e saí, não me atirei pela janela.

Felizmente a minha vida permite-mo. Não tenho responsabilidades, não tenho dívidas, nem um simples cartão de crédito; as contas a pagar ao fim do mês são controladas e controláveis e sem os medos mundanos, recupero a vida pensante e pulsante que sempre tive, recupero o pulso
como o tic-tac do despertador que continua a tocar pela manhã e diz: “Acordaste!”